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Afroempreendedorismo: redes e capacitação ampliam oportunidades

Por Gabriela Borges · Dom, 16 de agosto · 3 min de leitura

Afroempreendedorismo: redes e capacitação ampliam oportunidades
Fotos: Meireles Jr.

O Brasil tem mais de 15 milhões de afroempreendedores. O empreendedorismo virou um caminho importante para gerar renda, dar autonomia e promover o desenvolvimento da população negra. Os desafios e as chances de fortalecer esses negócios foram assunto neste domingo (16) na Arena Plural da Feira do Empreendedor do Maranhão, em São Luís.

Mesmo com muita presença no universo empreendedor brasileiro, muitos desses negócios ainda têm dificuldade para crescer e se firmar. O acesso ao crédito, a entrada em novos mercados e a formalização das atividades são os principais obstáculos.

Eraldo Ricardo dos Santos é gerente adjunto da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae Nacional. Ele afirma que a população negra representa mais da metade dos donos de negócios no país, mas enfrenta barreiras estruturais. O faturamento médio mensal desses empreendimentos fica em torno de R$ 2,5 mil.

“Apenas 25% dos afroempreendedores tiveram acesso a algum tipo de crédito e mais de 90% atuam sem CNPJ. Essa situação limita as possibilidades de financiamento e de participação em novos mercados”, explicou.

Para mudar esse quadro, o Sebrae ampliou as ações de capacitação, orientação empresarial e acesso a oportunidades de mercado. Também há iniciativas voltadas à formalização e à melhoria da gestão dos negócios.

“Todos os dias a gente vem se aperfeiçoando, principalmente na linguagem e na jornada dessas pessoas, para que possamos, por meio dos nossos conteúdos, capacitações, oficinas e palestras, levar conhecimento para alavancar esses negócios”, disse Eraldo.

Redes de apoio

Além da capacitação e do acesso a políticas de apoio, a criação de redes entre empreendedores aparece como uma forma de enfrentar barreiras e ampliar oportunidades.

Ana Rosa Silva é fundadora da Feira MA Preta, idealizadora do Festival de Literatura Preta e CEO da Nega Mina Consultoria. Ela atua há mais de dez anos apoiando principalmente mulheres empreendedoras. Para ela, faltam investimento, capital semente e políticas direcionadas ao fortalecimento desses negócios.

“Um dos nossos maiores desafios é o racismo estrutural, mas a nossa maior força é a inovação. O Brasil é um país plural, e a verdadeira potência do nosso estado está nas pessoas”, reforçou.

Vinicius Sirino, fundador da Compliance Shield, também defende a criação de redes entre pessoas negras. Ele acredita que isso amplia conexões, gera negócios e faz os recursos circularem dentro da própria comunidade empreendedora.

“O aquilombamento é um grande diferencial no empreendedorismo negro. Quando essas pessoas se juntam, a gente consegue criar um impacto maior, fazer networking, contratar umas às outras e fazer o dinheiro circular dentro da própria comunidade empreendedora”, afirmou.

Portal

O Sebrae lançou o Portal Afroempreendedorismo para ampliar e qualificar o atendimento a esse público. O ambiente digital reúne conteúdos, capacitações e soluções para pessoas negras que já empreendem ou querem começar um negócio. O endereço é sebrae.com.br/subsites/afroempreendedorismo.

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