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Boto Gelato: sabores amazônicos viram marca nacional de bioeconomia

Por Gabriela Borges · Qua, 15 de julho · 2 min de leitura

Boto Gelato: sabores amazônicos viram marca nacional de bioeconomia
Tapioca, castanha, cumaru e açaí inspiram os sabores criados pela Boto Gelato | Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O engenheiro de produção Tiago Silva abriu a Boto Gelato da Amazônia em 2016, em Santarém, com a proposta de transformar sabores regionais em experiência cultural. Quase dez anos depois, a empresa se consolidou como referência na cidade e em Alter do Chão, unindo gastronomia, turismo e bioeconomia.

A Boto Gelato integra atualmente a Oka Hub – Incubadora da Floresta, iniciativa apoiada pelo Sebrae para acelerar negócios de sociobiodiversidade amazônica. A empresa tem duas lojas, emprega 15 pessoas e registrou crescimento de 35% no faturamento no último ano.

Os sabores, nomes de produtos, identidade visual e espaços das lojas são inspirados na biodiversidade, lendas e símbolos culturais da região. “Desde o começo, eu não enxerguei a Boto só como uma gelateria. Ela é uma forma de contar a Amazônia”, afirma Tiago Silva.

Para criar os gelatos, Tiago fez cursos na Itália. O aprendizado serviu de base para receitas autorais adaptadas aos insumos amazônicos e à logística da região Norte. “Existe muita técnica, estudo e pesquisa por trás de cada sabor”, destaca.

A empresa mantém relação com pequenos produtores, feirantes e cooperativas. Muitas frutas usadas pela Boto Gelato vêm do Mercadão 2000, maior centro de abastecimento do Baixo Amazonas, que reúne 245 associados da Associação dos Produtores Rurais de Santarém (Aprusan).

A feirante Kelly Reis, que trabalha no Mercadão há mais de 18 anos, fornece frutas nativas para a gelateria. “Quando eles usam nossas frutas nos sorvetes, mais pessoas passam a conhecer os sabores da região e vêm procurar essas frutas aqui na feira também”, afirma.

Oka Hub fortalece startups da bioeconomia

Criada em 2025 pelo Sebrae, a Oka Hub – Incubadora da Floresta tem base em Belterra (PA) e reúne 11 startups de bioeconomia amazônica. A iniciativa contribuiu para um aumento médio de 150% no faturamento dos negócios incubados.

O ecossistema conecta 155 pesquisadores, destinou R$ 350 mil em bolsas para empreendedores e apoia o desenvolvimento de seis patentes. A incubadora atende negócios de biotecnologia, alimentos amazônicos, biocosméticos e soluções sustentáveis.