Boom da cerveja sem glúten impulsiona microcervejarias
Por Gabriela Borges · Sáb, 25 de julho · 3 min de leitura

As pequenas cervejarias brasileiras têm um motivo para comemorar o Dia Internacional da Cerveja, no próximo dia 7 de agosto. A produção de cerveja sem glúten cresceu mais de 400% em um ano, segundo o Anuário da Cerveja 2026, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). O levantamento confirma o interesse do público por produtos diferenciados e aponta para novos nichos de mercado. Desde 2009, o Brasil ocupa a posição de terceiro maior consumidor da bebida no mundo, de acordo com relatório da Kirin Holdings.
Cecília Morais, analista de Indústria, Comércio e Serviços do Sebrae/MG, afirma que a busca por alimentos e bebidas sem glúten vai além das pessoas com doença celíaca ou intolerância. Segundo ela, há uma procura crescente por produtos associados à saudabilidade, ao bem-estar e à qualidade dos ingredientes. Esse movimento já é observado em diversos segmentos da alimentação e também se reflete no mercado cervejeiro, com crescimento expressivo de cervejas sem glúten, sem álcool ou com baixo teor alcoólico.
Para as microcervejarias, isso representa uma estratégia de mercado ao diversificar o portfólio. O consumidor busca não apenas uma bebida, mas uma experiência. Uma cerveja sem glúten que mantém boa qualidade sensorial pode se tornar um diferencial competitivo, acrescenta Cecília.
Um exemplo é a Cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista (SP), uma das primeiras a produzir versões IPA sem glúten e sem álcool, lançadas em 2019. A sócia-fundadora Luiza Lugli Tolosa diz que havia demanda do público e desejo da empresa de ampliar o portfólio, tornando-o mais inclusivo. O sabor da IPA é o mesmo da versão com glúten, e o consumidor que prefere um produto sem glúten, mesmo sem restrição de saúde, opta por ter a mesma experiência sensorial.
Luiza comemora a decisão. Ela observa um aumento nas vendas por causa da procura por hábitos saudáveis. A cerveja sem glúten exige maiores cuidados em determinados processos e o uso de enzimas especiais, afirma.
A Cervejaria Alcapone, de Porto Alegre, lançou em 2017 a primeira IPA Sem Glúten do país, além de uma Premium Lager no mesmo estilo. Ao longo de quase 10 anos, a empresa viu crescer a procura por esses produtos. No ano passado, lançaram uma Red Ale sem glúten. Andrews Calcagnotto, um dos sócios e fundadores, diz que o diferencial está na qualidade dos produtos e na inovação. A empresa não briga no preço, mas foca na qualidade dos insumos e em trazer estilos diferentes.
O mercado cervejeiro no Brasil apresenta estabilidade em alguns aspectos. Houve recorde de cervejarias registradas no ano passado: 1.954, o maior número da série histórica. O crescimento foi tímido em relação a 2024, quando havia 1.949 cervejarias. São Paulo tem o maior número de registros (452), enquanto o Rio Grande do Sul concentrou o maior número de encerramentos (36).
Houve retomada do crescimento de marcas de cerveja registradas (56.170), um aumento de 2,1% em relação a 2024. O setor apresentou desempenho recorde no comércio exterior. As exportações brasileiras alcançaram US$ 218,3 milhões, o maior valor da série histórica, gerando superávit de US$ 195 milhões na balança comercial, também um recorde. A cerveja brasileira chegou a 77 países.
O Sebrae Minas acompanha essas tendências pelo programa Prepara Cervejas Artesanais, voltado ao fortalecimento das micro e pequenas cervejarias artesanais do estado. Cecília Morais explica que o programa prepara as empresas para desenvolver produtos alinhados às novas demandas. A consultoria abrange desde o diagnóstico da cervejaria até o suporte para o desenvolvimento de novos produtos. O objetivo é transformar tendências de mercado em oportunidade de negócio.