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Circuito das Águas Paulista ganha IG para Cachaça de Alambique

Por Gabriela Borges · Sex, 24 de julho · 3 min de leitura

Circuito das Águas Paulista ganha IG para Cachaça de Alambique
Cachaças de alambique têm uma produção de escala reduzida, normalmente de tradição familiar | Foto: Divulgação

A Cachaça de Alambique do Circuito das Águas Paulista é a mais nova Indicação Geográfica (IG) brasileira. O selo de qualidade foi concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) nesta terça-feira (21), com apoio do Sebrae. O reconhecimento valoriza a tradição histórica, a qualidade e o saber-fazer dos produtores de nove municípios do estado de São Paulo.

A área delimitada da nova IG nacional, a 9ª concedida para cachaça, compreende os municípios de Águas de Lindoia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindoia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. A IG é da espécie Indicação de Procedência (IP). Esse tipo de selo reconhece o nome geográfico de um local que se tornou conhecido como centro de produção de um determinado produto.

A outra espécie de IG é a Denominação de Origem (DO), que protege produtos com qualidades ligadas exclusivamente às características do meio geográfico, como fatores naturais e humanos. As cachaças de alambique têm produção de escala reduzida, geralmente de tradição familiar.

Outras cachaças com IG

Além do Circuito das Águas Paulista (SP), outras cachaças possuem a IG da espécie IP: Salinas (MG), Microrregião Abaíra (BA), Morretes (PR), Viçosa do Ceará (CE), Areia (PB) e Orizona (GO). Já as cachaças com IG da espécie DO são de Paraty (RJ) e Luiz Alves (SC).

Apoio do Sebrae e impacto econômico

O Sebrae apoia produtores na obtenção do selo por meio de diagnósticos, organização de associações, elaboração de dossiê técnico e estruturação do pedido de registro. Para a coordenadora de Negócios de Base Tecnológica do Sebrae, Hulda Giesbrecht, a conquista é um marco para o desenvolvimento local integrado.

Segundo ela, a concessão da IG agrega valor ao produto, protege o patrimônio cultural e impulsiona setores como turismo rural, gastronomia e hotelaria. Ela também afirma que o selo fortalece o valor de mercado e abre perspectivas para novos mercados, inclusive internacionais. No Acordo Mercosul-UE, a cachaça brasileira ganha mercado com a redução gradual da alíquota de 8% até zerar para garrafas de até 2 litros, além de cota de 2.400 toneladas com tarifa zero a granel.

Com esse novo reconhecimento, o número total de Indicações Geográficas no Brasil sobe para 165, sendo 131 Indicações de Procedência e 34 Denominações de Origem. Antes da Cachaça de Alambique, a última IG reconhecida pelo INPI havia sido o Alho Roxo do Planalto Catarinense, no fim de junho.

Histórico da produção

Os nove municípios do Circuito das Águas Paulista somam 177.791 hectares de área delimitada, com mais de 350 alambiques e produtores em atividade. O pedido de registro da IG foi depositado em agosto de 2025 pela Associação de Produtores de Cachaça de Alambique do Circuito das Águas Paulista (APCCAP), com apoio técnico do Sebrae.

A produção de cachaça de alambique na região é centenária e está ligada à colonização italiana e à cultura cafeeira. O diferencial da bebida está na qualidade da água local, aliada ao relevo montanhoso e ao microclima, que favorecem uma fermentação e um envelhecimento singulares.

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