Turismo amazônico: pousada em Alter do Chão cresce 15%
Por Gabriela Borges · Sáb, 8 de agosto · 3 min de leitura

A Pousada do Mingote, em Alter do Chão, no oeste do Pará, registrou crescimento de 15% na procura e na ocupação após participar de consultorias do Sebrae. O empreendimento, administrado pelo casal Dórisson Lobato Borari e Maria da Conceição Munduruku, investiu em ambientação regional, sustentabilidade e experiências ligadas ao território amazônico.
Localizada perto dos principais atrativos turísticos de Alter, distrito de Santarém, a pousada passou por mudanças estruturais e de identidade visual. A reorganização dos espaços, a melhoria do café da manhã regional, a sinalização temática e a inserção de elementos da cultura amazônica nos quartos e áreas comuns foram algumas das adequações feitas.
Em 2025, o empreendimento conquistou a Certificação Green Destinations, reconhecimento internacional para boas práticas em turismo sustentável. Segundo Dórisson, a identidade cultural se tornou um dos pilares do negócio. “A gente não precisa inventar coisas para atrair turistas. Já temos uma cultura muito rica, uma culinária muito rica e uma natureza muito forte. O diferencial é justamente valorizar isso e oferecer uma experiência verdadeira ligada à floresta e à comunidade”, afirma.
O empreendedor destaca que o turismo na região busca priorizar experiências sustentáveis e de base comunitária, evitando o turismo de massa. Para ele, o crescimento da atividade precisa estar ligado à preservação ambiental e ao fortalecimento das populações tradicionais. “A floresta em pé é o que garante o nosso futuro. O turista vem para viver essa experiência, conhecer a comunidade, entender nossa relação com a natureza e com o território. Esse é o turismo que queremos fortalecer aqui”, ressalta Borari.
As consultorias do Sebrae também ajudaram a ampliar a visibilidade da pousada e a profissionalizar o atendimento, em um momento de aumento da procura por experiências autênticas na Amazônia. A demanda já se reflete em reservas antecipadas e ocupação mais constante, mesmo fora da alta temporada. “As pessoas estão buscando cada vez mais experiências ligadas à cultura, à natureza e à preservação. E Alter do Chão tem muito potencial para isso”, diz.
Além do turismo, o casal participa de articulações para a preservação territorial e a valorização das comunidades indígenas e tradicionais. Maria da Conceição, da etnia Munduruku, defende que o turismo sustentável depende de planejamento e construção coletiva. “A gente precisa crescer sem perder nossa essência. O objetivo é fortalecer o turismo de experiência e de base comunitária, valorizando a cultura amazônica e protegendo aquilo que faz esse território ser único”, conclui.
Bioeconomia e design no Baixo Amazonas
O projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico, desenvolvido pelo Sebrae desde 2024, fortalece a economia criativa no Baixo Amazonas. A iniciativa transforma elementos da sociobiodiversidade em produtos com identidade regional. 20 empreendedores participaram de oficinas, mentorias e capacitações voltadas à gestão, inovação e acesso a mercados. O trabalho resultou no lançamento de uma publicação durante a COP 30 e impulsionou negócios de moda, biojoias, mobiliário e artesanato inspirados na cultura amazônica.
A Agência Sebrae de Notícias apresenta uma série especial sobre a atuação do Sebrae no Baixo Amazonas e os impactos da bioeconomia no fortalecimento dos pequenos negócios. As próximas matérias trarão outras histórias de empreendedores e iniciativas apoiadas por consultorias e projetos, com destaque para turismo sustentável, design amazônico, inovação e valorização da sociobiodiversidade.