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Brasil lança protocolo de IA para pequenos negócios no comércio

Por Gabriela Borges · Qua, 5 de agosto · 3 min de leitura

Brasil lança protocolo de IA para pequenos negócios no comércio
Foto: Divulgação

O Sebrae e o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG) estão desenvolvendo o Brazilian Commerce Protocol (BCP), um protocolo brasileiro para conectar micro e pequenas empresas à nova geração do comércio digital. A iniciativa busca criar uma infraestrutura nacional, aberta e neutra, para organizar informações de produtos e empresas em um padrão que possa ser usado por marketplaces, varejistas, plataformas logísticas e agentes de inteligência artificial.

Na prática, o empreendedor poderá criar e atualizar seu catálogo digital conversando com um agente de IA por canais como WhatsApp e Telegram. Ao enviar fotos e responder perguntas simples, a inteligência artificial organizará as informações e deixará os produtos disponíveis para diferentes canais digitais, sem necessidade de múltiplos cadastros ou conhecimentos técnicos.

O Sebrae participa levando as necessidades reais dos pequenos negócios para o projeto. “A iniciativa também diminui barreiras tecnológicas para os empreendedores, que não precisarão dominar soluções complexas para tornar seus negócios visíveis em ambientes digitais impulsionados por IA”, explica o analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, William Almeida.

O projeto integra o ecossistema AI Brasil. O CEIA/UFG contribui com a pesquisa e a construção tecnológica, enquanto o AI Brasil articula a conexão com o mercado. Segundo Anderson Soares, fundador do CEIA-UFG e vice-presidente do IA Brasil, o protocolo brasileiro nasce compatível com o Universal Commerce Protocol (UCP), anunciado em janeiro de 2026 por um consórcio liderado por Google e Shopify.

“O protocolo brasileiro garante interoperabilidade global, mas incorpora as adaptações necessárias à realidade do país e às necessidades dos pequenos negócios, assegurando que o Brasil não apenas acompanhe esse movimento, mas participe dele com uma solução própria, aberta e neutra”, ressalta Soares.

O protocolo também representa uma oportunidade para grandes plataformas de comércio eletrônico. “O protocolo também pode reduzir custos de integração, estimular novos modelos de negócio e criar um ambiente mais aberto para o desenvolvimento de soluções com inteligência artificial”, pontua Almeida. Segundo ele, quanto mais empresas e plataformas conectadas, maior será o potencial de geração de negócios.

A versão preliminar do BCP foi apresentada durante o Fórum E-commerce Brasil 2026, em São Paulo (SP). A expectativa é que o protocolo entre em operação até o final do ano com pilotos em cidades e setores específicos, começando pelo nicho do vestuário. “Por ser uma iniciativa sem fins lucrativos, o BCP busca democratizar o acesso à tecnologia e organizar o comércio informal que já ocorre em canais de mensagem, mas de forma desestruturada”, finaliza Soares.

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