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Sebrae e UFG criam protocolo de IA para pequenos negócios

Por Gabriela Borges · Sex, 7 de agosto · 3 min de leitura

Sebrae e UFG criam protocolo de IA para pequenos negócios
Foto: Divulgação

O Sebrae e o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA/UFG) estão desenvolvendo o Brazilian Commerce Protocol (BCP), um protocolo brasileiro para conectar micro e pequenas empresas à nova geração do comércio digital. A iniciativa busca criar uma infraestrutura nacional, aberta e neutra, que organize informações de produtos e empresas em um padrão utilizável por marketplaces, varejistas, plataformas logísticas e agentes de IA.

Na prática, o empreendedor poderá criar e atualizar seu catálogo digital conversando com um agente de inteligência artificial por canais como WhatsApp e Telegram. Ao enviar fotos e responder perguntas simples, a IA organizará as informações e deixará os produtos disponíveis para diferentes canais digitais, sem necessidade de múltiplos cadastros ou conhecimentos técnicos.

O Sebrae contribui levando as necessidades reais dos pequenos negócios ao projeto. “A iniciativa também diminui barreiras tecnológicas para os empreendedores, que não precisarão dominar soluções complexas para tornar seus negócios visíveis em ambientes digitais impulsionados por IA”, afirma o analista de Acesso a Mercados do Sebrae Nacional, William Almeida.

O projeto integra o ecossistema AI Brasil, que reúne conteúdo, comunidade e experiências para democratizar o uso da inteligência artificial no país. O CEIA/UFG fica responsável pela pesquisa e construção tecnológica, enquanto o AI Brasil articula a conexão com o mercado, empresas e especialistas.

Segundo Anderson Soares, fundador do CEIA-UFG e vice-presidente do IA Brasil, o protocolo brasileiro nasce compatível com o Universal Commerce Protocol (UCP), anunciado em janeiro de 2026 por um consórcio liderado por Google e Shopify. “O protocolo brasileiro garante interoperabilidade global, mas incorpora as adaptações necessárias à realidade do país e às necessidades dos pequenos negócios”, ressalta Soares.

O protocolo também representa oportunidade para grandes plataformas de comércio eletrônico. “O protocolo pode reduzir custos de integração, estimular novos modelos de negócio e criar um ambiente mais aberto para o desenvolvimento de soluções com inteligência artificial”, pontua Almeida. Segundo ele, quanto mais empresas e plataformas conectadas, maior o potencial de geração de negócios para todos.

A versão preliminar da infraestrutura do BCP foi apresentada durante o Fórum E-commerce Brasil 2026, em São Paulo (SP). A expectativa é que o protocolo entre em operação até o final do ano com pilotos em cidades e setores específicos, começando pelo nicho do vestuário. “Por ser uma iniciativa sem fins lucrativos, o BCP busca democratizar o acesso à tecnologia e organizar o comércio informal que já ocorre em canais de mensagem, mas de forma desestruturada”, finaliza Soares.

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