Pequenos negócios do Brasil superam EUA no uso de IA, diz Sebrae
Por Gabriela Borges · Seg, 17 de agosto · 3 min de leitura

Os pequenos negócios brasileiros estão usando inteligência artificial (IA) em um ritmo mais acelerado do que as empresas dos Estados Unidos. A informação é da pesquisa inédita Transformação Digital nos Pequenos Negócios (2026), feita pelo Sebrae em parceria com o Meta Instituto de Pesquisa.
O levantamento foi realizado entre 24 de março e 8 de maio, com 7.182 entrevistados, entre microempreendedores individuais (MEIs), microempresas (MEs) e empresas de pequeno porte (EPPs). Os dados mostram que 52% dos empreendedores brasileiros usaram IA nas duas semanas anteriores à entrevista. Nos EUA, esse percentual foi de 21%, segundo a pesquisa equivalente do U.S. Census Bureau (BTOS).
A intenção de uso também é maior no Brasil: 60% dos empresários brasileiros pretendem adotar ou ampliar o uso da IA no próximo semestre. Entre os norte-americanos, o índice é de 24%. Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, o comportamento mostra a criatividade do empreendedor brasileiro diante de novas tecnologias.
“O nosso empresário percebeu que a IA não é uma realidade distante de grandes corporações, mas sim uma ferramenta de competitividade diária que cabe no bolso e ajuda no dia a dia da empresa”, afirmou.
Aliada, não substituta
A pesquisa indica que a IA tem funcionado como apoio, e não como motivo para demissões. Tanto no Brasil quanto nos EUA, a tecnologia alterou o número de funcionários em menos de 10% das empresas. No Brasil, 90% dos pequenos negócios que usam IA não mudaram o quadro de funcionários nos últimos seis meses por causa da tecnologia. Apenas 5% reduziram postos de trabalho e 3% aumentaram as contratações por causa da IA.
O principal uso da IA nos pequenos negócios brasileiros foi para melhorar tarefas já feitas por colaboradores (28%) e introduzir novas funções (19%). Quando houve substituição de tarefas, 55% dos empresários disseram que a mudança envolveu poucas atividades específicas.
No mercado brasileiro, 46% dos negócios precisaram criar novos fluxos de trabalho para usar as ferramentas. Nos EUA, apenas 15% repensaram os fluxos e 64% afirmaram que a IA não exigiu mudanças relevantes na estrutura da empresa. No Brasil, esse percentual foi de 33%.
Perfil de uso
A adoção da IA no Brasil é maior nas empresas de pequeno porte (EPP), com taxa de uso de 61% nas duas semanas anteriores à pesquisa, principalmente no setor de Serviços (62%). Os empreendedores mais jovens, de 18 a 29 anos (78%), e os que têm pós-graduação (75%) são os que mais usam a tecnologia.
A principal barreira para quem ainda não usa IA é a falta de informação. Entre os empresários que não planejam adotar a tecnologia nos próximos seis meses, 38% citam a “falta de conhecimento sobre as capacidades da IA”. Nos EUA, o principal motivo é que a tecnologia “não se aplica ao negócio” (62%).
Rodrigo Soares reforçou que o Sebrae oferece cursos e consultorias para apoiar os pequenos negócios. “O recado da pesquisa é claro: o empreendedor quer usar, mas muitos ainda não sabem por onde começar”, disse.
Entre as opções de capacitação estão os cursos IA para gestão do pequeno empreendedor – Finanças (6h), IA na prática para pequenos negócios (3h), IA para gestão do pequeno empreendedor – Gestão de Pessoas com IA (6h) e IA para gestores públicos (4h). Também há o programa gratuito Negócio em dIA, em parceria com Google, Sebrae, Itaú Unibanco e Tera.