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Escolaridade de empreendedoras negras cresce 16,8 p.p. em 13 anos

Por Gabriela Borges · Qui, 11 de junho · 2 min de leitura

Escolaridade de empreendedoras negras cresce 16,8 p.p. em 13 anos
Foto: Divulgação

Empreendedoras negras com Ensino Superior tiveram um aumento de 16,8 pontos percentuais em 13 anos. É o que mostra uma pesquisa do Sebrae. Em 2012, 24,8% delas tinham curso superior. O avanço foi maior do que o registrado entre homens negros donos de negócio, que foi de 8,6 pontos percentuais.

O estudo “Empreendedorismo Negro no Brasil Sob a Ótica da PNAD Contínua” acompanhou dados do 1º trimestre de 2012 até o 4º trimestre de 2025. Em 2015, o Ensino Médio passou a ser o nível educacional mais comum entre as empreendedoras negras, superando o Fundamental Incompleto. Em 2022, o Ensino Superior já ocupava a segunda posição.

Apesar da maior escolaridade, o faturamento das mulheres negras não acompanha a formação. Elas recebem menos de 56% do rendimento dos empreendedores brancos. Enquanto 33,6% dos empresários brancos têm ensino médio, o índice entre as mulheres negras é de 42,2%.

As mulheres negras donas de negócio têm os menores rendimentos entre todos os grupos analisados. Elas ganham pouco mais de R$ 2 mil por mês, o que equivale a 54% do que recebem as mulheres brancas empreendedoras. Já o empreendedor branco fatura, em média, R$ 5.144 mensais.

Atualmente, uma em cada três empreendedores negros é mulher. No fim de 2012, elas representavam 30,3% do total. Hoje, a participação subiu 1,9 ponto percentual, mas elas ainda são minoria entre os empreendedores negros.

Mesmo em menor número, as empreendedoras negras são as que mais chefam os domicílios: 57,9%. O percentual é maior do que o de empreendedoras brancas e de donos de negócio brancos e negros. A pesquisa também mostra que as mulheres negras dedicam 33 horas semanais ao negócio. Homens negros trabalham 39 horas, e os brancos, 41 horas.

As mulheres, independentemente da raça, ficam abaixo da média total de horas trabalhadas. A diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, Margarete Coelho, afirma que o Sebrae atua para fortalecer o empreendedorismo feminino, mas aponta desafios. “Um dos motivos para essa condição ainda muito desigual pode estar na divisão de tarefas nos lares brasileiros”, diz. Para ela, o chamado “trabalho invisível”, que envolve cuidados com a casa, filhos e idosos, ajuda a explicar os dados.