Eu estava terminando um copo de primitivo numa enoteca em Bari, olhando para o mar Adriático com aquele vento quente de fim de tarde, quando meu telefone começou a vibrar sem parar. Amigas de São Paulo, jornalistas do Rio, uma ex-assessora que eu não falava há dois anos, todo mundo mandava o mesmo vídeo com a mesma pergunta: “Kátia, você viu isso?”. Vi. E o primitivo quase foi para o chão.
Na final do BBB 26, exibida ontem à noite, a Globo editou as cenas em que Pedro Henrique Espindola aparecia e substituiu sua imagem por um dinossauro. Em três cortes distintos, o ex-participante, que deixou o programa após tentar beijar Jordana Morais à força, teve sua silhueta trocada pela de Edilson Capetinha, apareceu brevemente numa conversa com Juliano Floss e Brigido Neto e, na terceira aparição, virou réptil de vez. A emissora não confirmou a decisão editorial, mas as imagens falam sozinhas.
Nas redes sociais, o Brasil entrou em colapso coletivo. “Eles fingindo que ele nunca existiu”, reagiu uma usuária no X. “A Globo vai fingir que o Pedro nunca participou do BBB”, escreveu o perfil Zebrinha. O Ryan virou meme instantâneo ao notar a ironia da silhueta escolhida: “Colocaram o falecido Pedro e revelando o Capeta.” A criatividade da direção de edição foi elogiada até por quem nunca torceu pelo rapaz.
A decisão é tecnicamente inédita para uma final de BBB e carrega um recado institucional preciso: Pedro Henrique não é apenas um nome que saiu do jogo, é um capítulo que a emissora quer selar antes de virar a página. O uso do dinossauro não foi aleatório, é humor com mensagem embutida, o tipo de escolha criativa que comunica sem precisar de nota oficial. A Globo não precisou explicar nada porque a imagem explicou tudo, e isso, em gestão de reputação, é uma jogada mais sofisticada do que parece.
Terminei o primitivo, pedi outro e fiquei olhando para o Adriático pensando no seguinte: o homem tentou apagar uma mulher de um momento e acabou sendo apagado de uma final inteira e transformado em Godzilla. O universo tem um humor que nenhum roteirista conseguiria escrever melhor.
A emissora substituiu o rosto e a silhueta do ex-participante por répteis e pelo personagem Edilson Capetinha na edição exibida na noite passada. A ação da Globo significou não apenas a expulsão de Pedro Henrique do jogo, mas também a sua remoção das imagens da final. A reportagem original foi publicada pelo Jornal de Brasília, que detém os direitos autorais do conteúdo.
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