Mercado editorial em alta impulsiona pequenas livrarias
Por Gabriela Borges · Ter, 4 de agosto · 3 min de leitura

O mercado editorial brasileiro vive um momento de alta, com reflexos positivos para as pequenas livrarias. Após um período de dificuldades, o ano de 2025 marcou uma retomada que se traduz em números, como o aumento das vendas de livros e o crescimento no número de novos negócios no setor.
Dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) indicam que as editoras tiveram alta nominal de 7,7% nas vendas, com crescimento real de 3,3% e expansão de 6,5% no volume de exemplares vendidos. No total, foram comercializados mais de 185 milhões de livros no país no último ano.
O bom momento também é visto entre os pequenos empreendimentos. De acordo com o Sebrae, com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), o número de novos registros na atividade de comércio varejista de livros, jornais, revistas e papelaria passou de 9.723 em 2024 para 11.185 em 2025, um aumento superior a 15%. Para 2026, a tendência segue em alta, com 6.656 novos empreendimentos até junho, contra 5.741 no mesmo período do ano anterior.
“Cada nova livraria que abre as portas representa mais do que um negócio. É um espaço de encontro, de circulação de ideias e de fortalecimento da cultura e da economia criativa. Os números mostram que o livro continua relevante na vida dos brasileiros e que existe um ambiente favorável para quem deseja empreender nesse segmento”, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
O movimento nas livrarias
Em Brasília (DF), a proprietária da Livraria Porão Livro e Café, Luana Pessoa, acompanha o crescimento de perto. “Recebemos essa notícia com muito entusiasmo. Para quem trabalha diariamente com livros e leitores, é animador perceber que a leitura continua despertando o interesse de cada vez mais pessoas. No dia a dia, observamos que muitos leitores não buscam apenas um livro, mas também experiências, conversas e espaços de troca”, diz.
A pesquisa da CBL aponta que todos os segmentos editoriais cresceram em 2025, com destaque para as obras gerais. As livrarias também ampliaram sua participação no faturamento das editoras, reforçando seu papel como pontos de encontro entre leitores, autores e histórias. Para Luana, o desafio vai além dos números. “O aumento de leitores é uma notícia muito positiva para todo o setor do livro. Mas é importante transformar esse interesse em um hábito duradouro. Livrarias, bibliotecas e escolas têm papel fundamental ao aproximar as pessoas dos livros e incentivar a leitura de forma contínua”, destaca.
Em meio ao crescimento, a literatura especializada também ganha espaço. Fundada em 2013, a Livraria Africanidades, em São Paulo, nasceu com a missão de ampliar o acesso a narrativas pretas, com foco em obras de autoras negras. A proprietária Ketty Valencio afirma que o negócio já contava com uma comunidade fiel de leitores antes mesmo da retomada do setor. “Nosso público-alvo sempre esteve conosco e, desde a criação da livraria, não houve diminuição das vendas. Nossos clientes se enxergam nas histórias que levam pra casa”, celebra.