Turismo comunitário transforma Território Kalunga
Por Gabriela Borges · Sex, 17 de julho · 2 min de leitura

O Território Kalunga, localizado na Chapada dos Veadeiros, tornou-se referência nacional em turismo de base comunitária. A atividade combina desenvolvimento econômico, sustentabilidade e valorização da identidade quilombola. O Sebrae Goiás atua no local desde 2005, apoiando o empreendedorismo e promovendo ações de preservação cultural.
A parceria incluiu o Projeto Vila Kalunga, cursos para condutores de visitantes, fortalecimento da agricultura familiar e estudos de marca. Mais recentemente, foi iniciado o trabalho da Rede de Agentes de Roteiros Turísticos. Um estudo do Sebrae Goiás mostrou que o turismo de base comunitária movimentou cerca de R$ 24 milhões nos últimos quatro anos e recebeu 140 mil visitantes.
O presidente do Sebrae Nacional, Rodrigo Soares, visitou a comunidade na última sexta-feira (17). Ele destacou a importância do turismo para gerar oportunidades e desenvolvimento sustentável. “Vocês desenvolvem um trabalho muito importante no turismo de base comunitária, que conta com o nosso apoio e gera renda digna para as famílias”, afirmou Soares.
Além de gerar trabalho e renda, o turismo fortalece a permanência das famílias no território e contribui para a preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental Kalunga. Em abril, um convênio entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Sebrae Nacional estabeleceu ações para o processo de reconhecimento e tombamento do território.
O superintendente do Iphan em Goiás, Gilvane Felipe, explicou que o tombamento representa proteção extra para o Território Kalunga. “Reconhece toda essa área como patrimônio cultural do Brasil”, disse. A liderança quilombola Cirilo dos Santos Rosa, de 72 anos, afirmou que o apoio das instituições é fundamental para proteger o território contra ameaças de invasão.
A Comunidade Kalunga, localizada principalmente em Cavalcante (GO), é considerada o maior território quilombola do Brasil. Formada há cerca de 300 anos, surgiu de pessoas escravizadas que fugiram das minas de ouro. O território tem aproximadamente 260 mil hectares, 39 comunidades e mais de 8 mil quilombolas.
A guia e empreendedora Dominga Natália disse que o trabalho como guia fortaleceu o território e a fortaleceu como pessoa. “Ser guia foi uma das melhores experiências profissionais que já tive”, afirmou. Atualmente, o território conta com mais de 200 guias. Os benefícios do turismo também alcançam agricultores, produtores de alimentos orgânicos, comerciantes e grupos culturais.