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Butantan obtém aval para produzir vacina contra chikungunya

Por Gabriela Borges · Seg, 4 de maio · 2 min de leitura

Butantan obtém aval para produzir vacina contra chikungunya
aedes dengue mosquito

O Instituto Butantan anunciou nesta segunda-feira, 4, que recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para produzir no Brasil a vacina contra chikungunya. O imunizante, aprovado no país em abril de 2025, era fabricado até agora nas unidades da farmacêutica franco-austríaca Valneva, parceira no desenvolvimento do produto.

Com o aval da Anvisa, a expectativa é que a vacina, chamada Butantan-Chik, possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a vacina é oferecida pelo SUS apenas em algumas localidades.

“Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, afirmou em nota o diretor do instituto, Esper Kallás.

Essa foi a primeira vacina contra chikungunya registrada no mundo. Além do Brasil, ela já foi aprovada pelas autoridades de saúde do Canadá, Europa e Reino Unido.

A aprovação se baseou em um estudo com 4 mil voluntários de 18 a 65 anos. A pesquisa mostrou que 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes. O imunizante foi bem tolerado e apresentou bom perfil de segurança, com eventos adversos leves e moderados, como dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre.

O vírus da chikungunya é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue e zika. A doença causa febre alta (acima de 38,5°C), dores intensas nas articulações dos pés e das mãos, dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele.

Segundo o Ministério da Saúde, no ano passado foram registrados 126.930 casos prováveis da doença no Brasil, com 125 mortes confirmadas e 41 óbitos em investigação. Neste ano, já são 37.660 casos prováveis e 21 óbitos confirmados, incluindo moradores de Dourados (MS), que declarou emergência por causa da doença.

Em março, a cidade de Dourados foi incluída em uma estratégia piloto de vacinação conduzida pelo ministério em parceria com o Butantan. O objetivo é aplicar o imunizante pelo SUS em municípios com alta incidência da doença.

No Estado de São Paulo, o modelo piloto inclui as cidades de Mirassol, onde a vacinação começou em fevereiro, e Bady Bassitt, que iniciou a aplicação da Butantan-Chik no dia 22 do mês passado. Nos dois municípios, qualquer morador entre 18 e 59 anos pode se vacinar gratuitamente contra a chikungunya nas unidades básicas de saúde.