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Marketing tradicional falido? Pix do amor e nova era do consumo

Por Gabriela Borges · Seg, 15 de junho · 3 min de leitura

Marketing tradicional falido? Pix do amor e nova era do consumo
Julio Vasconcelos

Os empreendedores que passaram os últimos anos tentando aplicar fórmulas prontas e estratégias para atrair e fidelizar clientes precisam se atualizar. Segundo o antropólogo Michel Alcoforado, tudo que aprenderam está ultrapassado. Ele quebrou paradigmas sobre o perfil dos consumidores de diferentes gerações durante sua palestra magna no segundo dia do NEON 2026.

Com o tema “Os 5 movimentos que redefinem o seu consumidor”, Alcoforado usou dados econômicos e elementos da cultura brasileira para mostrar que o ato de comprar hoje é uma extensão da conversa e do entretenimento diário. Ele afirmou que a verdadeira preocupação do empreendedor deve ser descobrir a tensão cultural do seu cliente.

O antropólogo citou o caso de mulheres que usam bolsas de luxo penduradas no antebraço para que a marca famosa “chegasse antes” delas nos lugares. Para essas consumidoras, o logotipo visível da bolsa é mais importante que o conforto e a funcionalidade do objeto. Outro exemplo foi o de lojas de vinhos que contrataram sommeliers para ajudar os clientes. A estratégia teve o efeito contrário: as pessoas se sentiam intimidadas e desistiam de comprar. A solução foi criar displays de autosserviço com dicas práticas de escolha.

Fim do funil de vendas tradicional

Alcoforado afirmou que os modelos tradicionais de marketing digital não funcionam mais. Fórmulas focadas em capturar o cliente até a conversão de vendas ignoram práticas comuns da atualidade, como o consumo virar um passatempo pelo celular. “O funil tradicional de marketing digital morreu. Hoje, 40% dos consumidores simulam compras que não vão realizar, apenas por prazer”, disse. Dados mostram que 62% das pessoas pesquisam produtos na internet como hobby.

Segundo ele, a atenção do público é a moeda mais valiosa. O brasileiro é bombardeado com mais de 6 mil anúncios por dia no celular, mas quase metade das pessoas não lembra de nenhuma publicidade vista em 2025. A fidelidade cega às marcas acabou. O consumidor atual muda de opinião se encontrar um preço melhor ou uma vantagem imediata.

O palestrante citou o “Pix do amor”, em que pessoas faziam transferências de um centavo como ferramenta de comunicação afetiva para burlar bloqueios em redes sociais. “Foram feitos R$ 62 milhões de Pix de 1 centavo em 2025. O Pix do amor trazia a possibilidade de abrir o aplicativo do banco várias vezes ao dia para saber se a alma gêmea tinha mandado mensagem”, explicou.

Produto de sucesso rende fofoca

Uma das lições da palestra é que os produtos devem render oportunidades de conversação. Alcoforado citou as fritadeiras elétricas e os hidratantes labiais com gosto de bala como exemplos de sucesso porque dão assunto para as pessoas. O cliente quer histórias para contar no grupo de família ou amigos e experiências que gerem fotos para redes sociais.

A estudante de Administração de Empresas, Ana Clara Santos, disse que a palestra mudou sua visão sobre o que aprende na faculdade. “Percebi que muita coisa que a gente ainda estuda já não serve na atualidade. Quando ele falou das pessoas que enchem o carrinho virtual sem intenção de comprar, me identifiquei totalmente”, declarou.

O empreendedor Carlos Eduardo Vieira saiu da palestra planejando mudanças em sua lanchonete. “Quando ele falou que se o produto não rende uma boa fofoca, ele não rende, percebi que preciso mudar o meu cardápio. O consumidor quer uma experiência tiktokzada, de uma história para contar”, afirmou.

O NEON 2026 termina neste sábado (13) com a palestra de Juliette, que vai compartilhar estratégias sobre construção de marca e posicionamento de mercado no Teatro Gustavo Leite.