sexta-feira, maio 1

    O presidente Luiz Inácio Lula (PT) confirmou o uso do FGTS para renegociar dívidas como parte do pacote do governo contra o endividamento da população, o chamado Desenrola 2. Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em sites de apostas esportivas, como medida para conter gastos com bets.

    “O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”, disse Lula em pronunciamento em rede nacional.

    Na fala, Lula citou as diretrizes gerais do programa, que será detalhado em evento na próxima segunda-feira (4). O endividamento da população é uma das principais preocupações do petista às vésperas de sua campanha à reeleição, segundo já verbalizado por ele e aliados.

    Lula reiterou que brasileiros endividados terão juros de no máximo 1,99% e descontos de 30% a 90% no valor da dívida, conforme informado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão usar até 20% do FGTS para reduzir o saldo final da dívida no Desenrola 2.0. Instituições financeiras precisarão oferecer um desconto mínimo de 40% para a renegociação.

    O desenho técnico do programa foi fechado na segunda-feira (27) por Durigan em reunião com CEOs de bancos públicos e privados e entidades do setor bancário. O uso do FGTS deve ter um custo de R$ 4,5 bilhões nos próximos três meses, segundo estimativa do Ministério do Trabalho.

    No pronunciamento, o presidente também defendeu a redução da jornada 6×1, uma das principais pautas de sua campanha eleitoral. Lula usou um tom “antissistema”, reforçado neste ano eleitoral. “Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”, disse.

    “A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte”, afirmou Lula. O texto relacionou a pauta de redução da jornada com o público feminino, enfatizando a sobrecarga das mulheres com trabalho e cuidados com a família.

    No pacote contra o superendividamento, o governo incluiu medidas contra o mercado de apostas. Na semana passada, a Fazenda bloqueou os sites de Kalshi, Polymarket e outras 25 empresas do mercado de previsão, que ofertavam apostas sobre eleições, jogos, reality shows e celebridades.

    O pronunciamento marca a tradicional manifestação do presidente em rádio e televisão pelo Dia do Trabalhador, celebrado nesta sexta (1º). Lula busca aumentar sua popularidade em ano eleitoral. Ele e seu entorno consideram que, apesar de boas entregas ao longo do mandato, a gestão não está conseguindo transformar isso em popularidade. O pronunciamento ocorre após duas derrotas políticas: a rejeição de Messias pelo Senado na quarta-feira (29) e a derrubada dos vetos à redução de penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro nesta quinta.

    Gabriela Borges
    Gabriela Borges

    Administradora de empresas pela Faculdade Alfa, Gabriela Borges (2000) é goiana de nascimento e colunista de negócios, gestão e empreendedorismo no portal OiEmpreendedores.com.br, unindo conhecimento acadêmico e visão estratégica.