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Futuro das IG: clima, tecnologia e cooperação

Por Gabriela Borges · Sex, 12 de junho · 3 min de leitura

Futuro das IG: clima, tecnologia e cooperação
Jean- Louis mostrou resultados de indicações regionais francesas | Foto: Divulgação

O futuro das Indicações Geográficas (IG) no Brasil depende de adaptação às mudanças climáticas, uso de tecnologia e criação de redes de cooperação. A avaliação é do pós-doutor no tema Jean-Louis Le Guerroué, que palestrou no Connection Terroirs do Brasil, maior evento sobre IG do país, realizado de 10 a 13 de junho em Gramado (RS). O Sebrae é correalizador do evento.

Le Guerroué apontou as mudanças climáticas, a inovação, a transição geracional e o perfil do consumidor como pontos de atenção. Segundo ele, a IG precisa ir além da proteção de produtos e se tornar um instrumento de preservação territorial e desenvolvimento regional. “A mudança climática não pode mais ser ignorada e vai atingir todo o mundo. Independentemente se a IG é da área agrícola ou do artesanato, terá de se adequar”, afirmou.

O especialista disse que modelos agroecológicos precisarão ser adotados para preservar características tradicionais das regiões produtoras. Ele citou que a União Europeia já trabalha nessas transições dentro das IGs. Sobre tecnologia, Le Guerroué destacou a necessidade de incorporá-la sem ameaçar a essência do fazer tradicional.

Em relação à mudança geracional, ele apontou o êxodo rural e as dificuldades na sucessão como desafios. O perfil do consumidor, cada vez mais exigente, também foi mencionado. “Ele quer saber de onde vem, como foi feito, se segue regras de sustentabilidade, rastreabilidade”, exemplificou.

Le Guerroué compartilhou resultados de pesquisas com centenas de IGs na França e destacou desafios observados no Brasil, como a necessidade de ampliar investimentos, fortalecer a governança e promover integração entre atores locais. Para ele, o fortalecimento das IGs passa pela construção de redes de cooperação dentro dos territórios, envolvendo escolas, universidades, parques, restaurantes e turismo.

O pesquisador defendeu uma visão mais ampla sobre o papel das IGs, entendendo-as como bens coletivos. “Não é apenas uma questão de proteger produtos. É preciso proteger os ativos territoriais que dão o DNA do território. O desafio é unir preservação e prosperidade”, afirmou.

Ele mencionou uma pesquisa feita com o Sebrae para avaliar o grau de maturidade das IGs brasileiras. O objetivo é identificar pontos fortes e fragilidades e orientar estratégias para fortalecer esses territórios.

O Brasil tem hoje 161 Indicações Geográficas, concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Os produtos incluem vinhos, queijos, cafés, açaí, artesanato e cachaça. O Sebrae apoia empreendedores na obtenção do selo e na busca por mercado, com rodadas de negócios, missões comerciais e capacitações.