Metade dos pequenos negócios sofre tentativas de golpes digitais
Por Gabriela Borges · Seg, 27 de julho · 2 min de leitura

Quase metade dos pequenos negócios no país já enfrentou tentativas de golpes digitais ou por telefone nos últimos 12 meses. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pelo Sebrae, em parceria com o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
O levantamento, intitulado “Impactos dos golpes digitais e/ou por telefone nas empresas”, ouviu 4.466 empreendedores. Entre os pequenos negócios, 44% relataram ter sido alvo dessas tentativas. O índice é próximo ao registrado por médias e grandes empresas, que foi de 47%.
A pesquisa também mostra que o impacto financeiro dos golpes é maior entre os menores negócios. Dos pequenos empresários que caíram em armadilhas, 31% tiveram prejuízos financeiros. Já entre as médias e grandes empresas, essa proporção foi de 22%.
Outro dado do estudo aponta fragilidade na defesa preventiva das micro e pequenas empresas (MPE). Apenas 17% delas possuem medidas estruturadas de proteção digital e realizam ações de orientação regulares para prevenção de fraudes. Entre as médias e grandes empresas, esse percentual chega a 72%.
Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a transformação digital foi positiva para os pequenos negócios, mas trouxe riscos. “Estar no ambiente digital não significa apenas ter um canal de vendas ativo: exige blindagem operacional”, afirmou.
Segundo a pesquisa, o principal vetor de golpes em micro e pequenas empresas é o fator humano, como clicar em um link suspeito ou não verificar um favorecido no Pix. O acúmulo de funções do empreendedor, que opera caixa, atende clientes e cuida de redes sociais, facilita a ação dos criminosos.
“Qualificar o empreendedor para blindar seus processos digitais é tão urgente quanto ensiná-lo a fazer fluxo de caixa”, disse Rodrigo Soares.
A vulnerabilidade se reflete na percepção de risco. Caso sofressem um golpe relevante, 45% dos pequenos negócios estimam que o impacto seria grave ou muito grave, comprometendo o funcionamento da empresa. Nas médias e grandes empresas, esse temor atinge 22%.
Entre os tipos de golpe, o boleto falso é a maior preocupação para 38% dos pequenos negócios. Golpes por telefone aparecem em segundo lugar, com 31%, e o golpe do Pix preocupa 30% dos entrevistados. Para médias e grandes empresas, a maior preocupação é a invasão de sistemas ou e-mails, citada por 47%.