Fundo de aval amplia crédito para empreendedoras negras
Por Gabriela Borges · Qua, 22 de julho · 3 min de leitura

O Fundo de Aval às Micro e Pequenas Empresas com foco nas empreendedoras (Fampe Mulher), do Sebrae, tem facilitado o acesso ao crédito para mulheres negras no Brasil. O programa oferece garantia de até 100% da operação de crédito, ampliando as chances de aprovação de financiamentos para negócios liderados por mulheres.
Mulheres negras, pretas e pardas, estão entre os grupos que mais enfrentam obstáculos para conseguir crédito e expandir seus negócios no país. A combinação de desigualdades históricas de renda, menor acesso a patrimônio, dificuldades para oferecer garantias e barreiras no sistema financeiro limita o crescimento de milhares de empreendedoras.
O tema ganha relevância às vésperas do Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho. Estudos do DataSebrae mostram que empreendedores negros têm taxas de acesso ao crédito inferiores à média nacional. A falta de garantias e os altos juros estão entre os principais entraves.
O Fampe Mulher é destinado a microempreendedoras individuais (MEI), microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP) lideradas por mulheres, como sócias majoritárias ou administradoras. Além da garantia, o Sebrae oferece orientação para que as empresárias organizem suas finanças e estejam mais preparadas para contratar crédito.
Desde sua criação, o Fampe Mulher já viabilizou mais de 17,2 mil operações, totalizando R$ 1,15 bilhão em crédito garantido. O índice de perdas é de apenas 0,06%, muito inferior ao registrado na carteira geral do Fampe, que varia entre 3,5% e 4,5%. O programa tem 24 meses de operação e, no último ano, apresentou crescimento mais acelerado das concessões.
Para a diretora de Administração e Finanças do Sebrae, Margarete Coelho, o resultado confirma que ampliar o acesso ao crédito para mulheres é uma estratégia segura. “Muitas pesquisas apontam que as mulheres são boas pagadoras. Elas administram orçamentos muitas vezes limitados e conseguem fazer verdadeiros milagres na gestão da vida financeira”, afirma.
A empreendedora Mirna Gomes, de Salvador (BA), conseguiu transformar uma ideia nascida na cozinha de casa em um negócio consolidado com o apoio do Fampe Mulher. Filha de empregada doméstica, criada pela mãe e sem capital para investir, ela fundou A Lasanharia em 2019, depois de abandonar o trabalho como motorista de aplicativo.
Hoje, a empresa emprega mais de 15 pessoas, sendo 95% mulheres, realiza cerca de 120 entregas por dia e possui unidade física em Lauro de Freitas (BA). Mirna conseguiu acessar uma linha de crédito garantida pelo Fampe Mulher por meio do Banco do Nordeste. “Com esse financiamento consegui comprar equipamentos e fazer a reforma da minha primeira loja”, disse.
Além do Fampe Mulher, o Sebrae oferece programas como o Sebrae Delas, consultorias, mentorias e capacitações em gestão financeira, inovação, marketing e acesso a mercados. Para o analista da Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae Nacional, Márcio Borges, ampliar o acesso ao crédito para mulheres pretas e pardas significa enfrentar desigualdades históricas. “O acesso ao crédito não pode depender da origem, da raça ou do gênero da pessoa empreendedora”, destaca.