Startup paraense de biocosméticos cresce 44%
Por Gabriela Borges · Ter, 21 de julho · 3 min de leitura

Uma startup de biocosméticos do Pará registrou crescimento de 44% no faturamento após passar por um processo de incubação. A Mahá Biocosméticos, criada em Santarém (PA), teve origem em uma pesquisa universitária sobre cuidados com cabelos cacheados.
O negócio foi fundado pelas farmacêuticas Melissa Karen Lage e Bruna Cantal de Souza durante a graduação na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA). A empresa desenvolve produtos capilares usando óleos e manteigas vegetais da Amazônia, como andiroba, buriti, pracaxi, murumuru, cupuaçu e ucuuba.
A empresa foi formalizada em 2021 após participar do programa Inova Amazônia, do Sebrae. No ano passado, a Mahá foi incubada na Oka Hub – Incubadora da Floresta, em Belterra (PA). Com mentorias e capacitações, as empreendedoras ajustaram a gestão e o posicionamento de mercado.
Segundo Melissa, uma das sócias, a incubadora avaliou as necessidades do negócio para ajudar no crescimento. Ela afirma que os efeitos práticos são vistos nos novos mercados que a empresa está alcançando.
Em 2025, a startup registrou faturamento de R$ 36 mil, um aumento de 44% em relação ao ano anterior. O crescimento foi impulsionado pela venda de kits capilares e máscaras de nutrição.
Durante a incubação, a empresa mudou o modelo de negócio. Deixou de operar apenas com produtos personalizados e passou a estruturar linhas fixas. A medida ampliou a capacidade produtiva sem perder a identidade científica e socioambiental. A Mahá também iniciou parceria com a fábrica de cosméticos Ekilibre da Amazônia, em Alter do Chão.
Parceria com comunidades tradicionais
A Mahá mantém relação direta com grupos de mulheres extrativistas e comunidades tradicionais da região. Um dos exemplos é a parceria com as Amélias da Amazônia, associação de mulheres da comunidade São Domingos, na Flona do Tapajós (PA). O grupo produz óleos vegetais de andiroba e copaíba usados nas formulações da marca.
Marcilene da Silva Costa, uma das ribeirinhas à frente do empreendimento, afirma que a parceria gera renda e valoriza o conhecimento passado pelas famílias e pela floresta.
Incubadora reúne startups da bioeconomia
A Oka Hub foi criada em 2025 com apoio do Sebrae. A incubadora reúne 11 startups voltadas à bioeconomia amazônica e já contribuiu para um aumento médio de 150% no faturamento dos negócios incubados. O ecossistema conecta 155 pesquisadores, destinou R$ 350 mil em bolsas para empreendedores e apoia o desenvolvimento de seis patentes.
O ponto físico da incubadora é o Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), em Belterra (PA). De acordo com Artur Carvalho, um dos embaixadores do MuCA, o diferencial do espaço é aproximar a pesquisa científica das comunidades amazônicas e dos territórios onde os insumos da bioeconomia são produzidos.