Formalização triplica renda de empreendedores 60+, aponta Sebrae
Por Gabriela Borges · Qui, 30 de julho · 3 min de leitura

Um estudo do Sebrae, com dados da PNAD Contínua do IBGE, mostra que a formalização do negócio pode triplicar a renda de empreendedores com mais de 60 anos. No quarto trimestre de 2025, os empreendedores formalizados dessa faixa etária atingiram o maior rendimento médio da série histórica, iniciada em 2012. Eles receberam, em média, R$ 7.458, valor mais de três vezes superior ao dos informais, que ganharam R$ 2.152.
O estudo aponta que a formalização não só aumenta a renda no curto prazo, mas amplia o retorno ao longo de todo o ciclo de vida do empreendedor. Houve também avanço na escolaridade dos empreendedores seniores. Entre 2012 e 2025, a proporção dos que não tinham instrução ou tinham fundamental incompleto caiu de 68% para 46%. Já a fatia com ensino médio completo ou mais subiu de 24% para 42%.
O Brasil tinha 4,5 milhões de empreendedores seniores no quarto trimestre de 2025, alta de 59% em relação a 2012. Apesar do crescimento, eles representam apenas 15% do total de donos de negócios, enquanto a população sênior corresponde a 20% dos brasileiros em idade ativa. Segundo o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a instituição atua com diagnósticos para apoiar esse segmento com mais assertividade por meio de programas e soluções.
Conforme os empreendedores envelhecem, aumenta a participação como chefes de domicílio. Entre os jovens, a proporção é de 37%, e entre os seniores, sobe para 67% no quarto trimestre de 2025. A condição de filho no domicílio, comum entre os mais jovens (35,5%), quase desaparece entre os idosos (0,7%). Na série histórica, a proporção de seniores como chefes de domicílio recuou de 78%, em 2012, para 67%, em 2025, enquanto a condição de cônjuge subiu de 18% para 27%.
Apesar dos avanços em escolaridade e renda, o estudo indica que os empreendedores seniores foram o grupo etário com menor progresso em formalização e proteção previdenciária na última década. Entre 2015 e 2025, a formalização entre eles avançou pouco mais de 2 pontos percentuais, contra 7,5 pontos entre os jovens e cerca de 7 pontos entre os adultos.
Os empreendedores seniores no Brasil são majoritariamente homens (70%) e pessoas brancas (52%), participações acima da média geral de donos de negócio (66% homens e 46% brancos). No entanto, esse grupo registrou o maior crescimento da participação feminina entre todas as faixas etárias (+3,1 pontos percentuais), enquanto a presença de pessoas negras ficou praticamente estável (+0,7 ponto).
Esses empreendedores se concentram principalmente em Serviços (35%), seguido por Comércio (22%), Agropecuária (18%), Indústria (12%) e Construção (12%). O setor de Serviços ampliou a liderança ao longo da série (+8 pontos), enquanto a Agropecuária foi a atividade que mais perdeu espaço entre 2012 e 2025, com queda de 11 pontos percentuais.