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El Niño pode começar em maio e alterar chuvas no Brasil

Por Gabriela Borges · Seg, 27 de abril · 3 min de leitura

El Niño pode começar em maio e alterar chuvas no Brasil
Chuva em Belém do Pará • Flickr

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) informou que há chances elevadas de um novo El Niño se formar a partir de maio. O fenômeno deve alterar o padrão de chuvas e temperaturas em várias regiões do mundo, inclusive no Brasil. A OMM disse que as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial estão subindo rápido após um período de neutralidade no começo do ano.

Segundo a entidade, os modelos climáticos mostram uma mudança clara no oceano e apontam alta probabilidade de retorno das condições de El Niño entre maio e julho, com intensificação nos meses seguintes. O chefe de previsão climática da OMM, Wilfran Moufouma Okia, afirmou em nota que, após um período de condições neutras, os modelos estão alinhados e há grande confiança no início do El Niño, seguido por maior intensificação.

O El Niño acontece quando as águas do Pacífico Equatorial central e oriental ficam mais quentes que o normal por um longo período. Esse aquecimento altera a circulação da atmosfera e pode modificar o comportamento das chuvas, secas e temperaturas em diferentes partes do planeta.

A OMM ressaltou que ainda há incerteza nas previsões para esta época. Okia explicou que os modelos indicam que o evento pode ser considerável, mas a barreira de previsibilidade da primavera no Hemisfério Norte dificulta projeções mais exatas antes do fim de abril.

Para o trimestre de maio a julho, a OMM prevê temperaturas acima do normal em quase toda a superfície terrestre. O El Niño costuma favorecer mais chuva em partes do sul da América do Sul e tempo mais seco em áreas da Austrália, Indonésia e sul da Ásia.

No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno provoca efeitos opostos entre as regiões: mais chuva no Sul e maior risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste. O impacto depende da intensidade do evento, da época do ano e da interação com outros fatores climáticos.

A OMM afirmou que não usa a expressão “super El Niño”, por não ser uma classificação técnica padronizada. A entidade disse que não há evidência de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou intensidade dos eventos de El Niño, mas ressaltou que oceanos e atmosfera mais quentes podem ampliar efeitos associados, como calor intenso e chuva volumosa.

A próxima atualização da OMM sobre o El Niño será divulgada no fim de maio.