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Meloni nega ter implorado por foto com Trump

Por Gabriela Borges · Sex, 19 de junho · 3 min de leitura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, “implorou” para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7. A declaração foi feita em uma entrevista a uma TV italiana. Meloni negou a versão e classificou as falas como “completamente inventadas”. A premiê italiana disse estar “surpresa” com a história e repreendeu Trump por atacar aliados.

A relação entre Trump e Meloni, que antes eram aliados próximos, começou a se deteriorar em abril. Meloni criticou Trump depois que o presidente norte-americano chamou o papa Leão XIV de “fraco” por condenar a guerra no Irã. A premiê afirmou serem “inaceitáveis” as palavras de Trump em relação ao pontífice.

Trump respondeu no dia seguinte. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, disse estar “chocado” com a postura de Meloni e afirmou acreditar que ela não tinha coragem. “Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país”, declarou.

Aproximação e afastamento

Meloni sempre foi vista como uma das líderes europeias mais próximas de Trump. Os dois compartilhavam posições semelhantes em temas como combate à imigração ilegal e críticas a agendas progressistas. A aproximação começou antes de Meloni chegar ao poder. Em 2018, ela recebeu o ex-conselheiro de Trump Stephen Bannon em uma conferência conservadora na Itália.

Em 2025, quando Trump retornou à Casa Branca, Meloni foi a única líder europeia presente na cerimônia de posse. O clima começou a mudar em abril do ano passado, quando Trump anunciou tarifas comerciais contra dezenas de países, incluindo aliados europeus. Meloni afirmou que os Estados Unidos estavam tomando a decisão errada.

Em outubro, os dois protagonizaram um momento inusitado durante um evento no Egito. Trump disse a Meloni, em público: “Você não vai se ofender se eu disser que você é linda, vai? Porque você é.” A premiê sorriu, mas em outros momentos aparentou estar entediada.

A relação ganhou novos contornos em janeiro, quando Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia. Meloni tentou um tom conciliador, mas disse que não concordaria com uma ação militar dos EUA na ilha.

Crise no Irã

Em fevereiro, quando os EUA atacaram o Irã em ação conjunta com Israel, a Itália foi surpreendida. O ministro da Defesa italiano estava de férias nos Emirados Árabes e precisou ser resgatado em um jato militar. A oposição criticou a premiê, afirmando que a Itália não foi avisada sobre a operação, ao contrário de outros aliados.

Diante da impopularidade da guerra entre os italianos, Meloni passou a condenar o conflito. Ela afirmou que a Itália não participaria da guerra e se recusou a permitir que caças dos EUA utilizassem uma base aérea na Sicília para operações no Irã. Apesar disso, a premiê foi derrotada em um referendo sobre a reforma judicial.

Analistas avaliam que Meloni pode ter se aproveitado da crise entre Trump e o papa para romper com o presidente norte-americano. Na terça-feira, ela anunciou que a Itália não renovaria um acordo de defesa com Israel. A decisão, segundo analistas, foi motivada mais pela política interna do que por uma mudança estratégica.

Trump insistiu que a relação entre os dois países se deteriorou. “Ela tem sido negativa”, disse em entrevista à Fox News. “Qualquer um que se recusou a nos ajudar nessa questão do Irã não tem mais o mesmo relacionamento conosco.”

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