Correios adiam fechamento e buscam R$ 7 bi
Por Gabriela Borges · Qui, 9 de julho · 3 min de leitura
Os Correios suspenderam parte do plano de reestruturação neste mês. A estatal interrompeu o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que atendem ao público e a adoção de um sistema para mapear recursos necessários para entregas. A decisão foi tomada após ameaça de greve dos servidores.
A suspensão ocorre enquanto a direção da empresa busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. O plano de reestruturação foi apresentado no ano passado como condição para o aval do Tesouro a um empréstimo de R$ 12 bilhões. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.
Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária e servirá para que entidades representativas dos trabalhadores apontem possíveis distorções na aplicação das medidas. “A suspensão das medidas citadas é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no plano de reestruturação tenham continuidade”, disse a empresa. Ações de venda de imóveis e outras medidas de contenção de despesas estão mantidas.
A suspensão foi proposta em carta a sindicalistas, em resposta ao movimento grevista. Insatisfeitos com as medidas, os representantes dos trabalhadores haviam indicado que começariam uma paralisação na terça-feira passada. Depois do aceno, recuaram e mantiveram o estado de greve, que permite paralisação a qualquer momento se houver descumprimento dos termos pela empresa.
“Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo, propõe-se a suspensão do fechamento de unidades previstas no plano até 31 de julho de 2026, ressalvadas as unidades fechadas ou em processo avançado de fechamento”, diz a carta, assinada pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações. No período, serão avaliados novos fechamentos com “análise técnica, institucional e social”.
Também foi proposta a suspensão do sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas já realizadas em junho. A direção se comprometeu com a interrupção da retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê e Quebra de Caixa, com reavaliação dos benefícios encerrados.
Das ações paralisadas, uma das mais relevantes é o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com previsão de economia de R$ 2,1 bilhões, 256 tiveram suas atividades encerradas. O novo programa de demissão voluntária será voltado para essas unidades, que têm 7 mil funcionários. Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, 3.075 funcionários aderiram, abaixo da meta de 10 mil. A economia foi de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas. Na busca de novas receitas, a empresa avança em parcerias.