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Viveiro na Amazônia saltará para 250 mil mudas em 2026

Por Gabriela Borges · Qui, 9 de julho · 3 min de leitura

Viveiro na Amazônia saltará para 250 mil mudas em 2026
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O que começou com uma saca de substrato comprada com R$ 20 e o desejo de construir um futuro próximo da família se transformou em uma das iniciativas de regeneração ambiental em expansão no Baixo Amazonas. Instalado em área antes degradada, o Viveiro Florestal da Ardosa, em Santarém (PA), ampliou sua atuação nos últimos anos e hoje é uma referência na produção de mudas nativas e no fortalecimento de cadeias sustentáveis ligadas à bioeconomia amazônica.

Criado pelo casal Sidcley Matos Pereira e Adna Picanço, o viveiro nasceu entre desafios e incertezas. No início, ainda sem clientes ou contratos fechados, a produção começou de forma artesanal, com espécies como açaí, andiroba e cumaru. “Quando começamos, não tinha projeto nem cliente. Mas eu sempre dizia que faria o viveiro ser reconhecido. Eu não sabia como, mas acreditava nisso”, relembra Adna.

Com apoio do Sebrae, o empreendimento passou por processo de estruturação e fortalecimento da gestão. A participação em capacitações, como o Empretec, e a inserção em eventos e conexões estratégicas ajudaram a ampliar a visibilidade do negócio e abrir novos mercados. O viveiro também integrou o projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico, capitaneado pelo Sebrae, que ajudou a fortalecer a identidade visual e a comunicação do espaço.

Atualmente, o Viveiro Florestal da Ardosa cultiva mais de 110 espécies nativas da Amazônia, incluindo árvores ameaçadas de extinção, como itaúba, castanha-do-pará e mogno. A produção, que inicialmente chegava a 100 mil mudas por ano, entrou em uma nova fase de expansão e deve alcançar entre 200 mil e 250 mil mudas ainda em 2026. O crescimento foi impulsionado por novas conexões comerciais, incluindo parcerias estruturadas a partir da COP 30.

Outro avanço recente foi a captação de cerca de R$190 mil em investimentos junto à Conservação Internacional Brasil (CIB), destinados à ampliação da estrutura produtiva. Os recursos serão utilizados na construção de um novo galpão, ampliação das áreas de sombreamento e instalação de novas bancadas de produção, preparando o viveiro para ampliar a escala e atender novas demandas de mercado.

Para Sidcley, o viveiro representa mais do que um negócio. “A gente percebe que as pessoas estão entendendo que sustentabilidade não é só preservar, mas também produzir renda e futuro. Nosso trabalho começa na coleta da semente, passa pelas famílias, pelas comunidades e chega na floresta novamente. Cada muda carrega esse ciclo e esse compromisso com a Amazônia”, afirma.

Bioeconomia e design impulsionam negócios no Baixo Amazonas

Desenvolvido pelo Sebrae desde 2024, o projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico fortalece a economia criativa no Baixo Amazonas ao transformar elementos da sociobiodiversidade em produtos com identidade regional. A iniciativa reuniu 20 empreendedores em oficinas, mentorias e capacitações voltadas à gestão, inovação e acesso a mercados. O trabalho resultou no lançamento de uma publicação durante a COP 30 e impulsionou, além do Viveiro Florestal Ardosa, negócios de moda, biojoias, mobiliário e artesanato inspirados na cultura amazônica.

A Agência Sebrae de Notícias apresenta série especial sobre a atuação do Sebrae no Baixo Amazonas e os impactos da bioeconomia amazônica no fortalecimento dos pequenos negócios. Nas próximas matérias, serão apresentadas outras histórias de empreendedores e iniciativas apoiadas por consultorias e projetos do Sebrae, com destaque para turismo sustentável, design amazônico, inovação e valorização da sociobiodiversidade.