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Sebrae transforma resíduos do Festival de Parintins em design e renda

Por Gabriela Borges · Seg, 11 de maio · 3 min de leitura

Sebrae transforma resíduos do Festival de Parintins em design e renda
Foto: Rodrigo Amorim

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM) apresentou, nesta sexta-feira (8), uma nova etapa do projeto Parintins Criativo: Do Festival ao Futuro. A iniciativa transforma resíduos do Festival de Parintins em design, decoração, moda e produtos autorais.

O que antes era descartado nos galpões das agremiações agora vira matéria-prima para novos negócios. O projeto une economia circular, design, sustentabilidade, inovação e empreendedorismo. Materiais como tecidos, fibras e estruturas cenográficas ganham potencial comercial durante todo o ano.

A iniciativa começou com 40 participantes e hoje reúne 64 artesãos ativos. A proposta promove uma mudança de mentalidade: o resíduo passa a ser visto como ativo econômico. Para a gestora do projeto de Artesanato do Sebrae Amazonas, Lilian Silvia Simões, a transformação da percepção dos artesãos está no centro da iniciativa. “A essência desse projeto vai desde a transformação da percepção dos artesãos sobre o que é resíduo e o que é matéria-prima, até o investimento em uma lógica de economia circular”, afirmou.

Os primeiros resultados já aparecem. Artesãos que antes faziam apenas acessórios ligados aos bois agora criam peças decorativas, mobiliário, luminárias e produtos autorais. “Mesmo sendo protótipos, o mercado já deseja essas peças”, disse Lilian.

A artesã Taiana Ferreira, do coletivo Mãos Criadoras, destacou a mudança de visão. “O projeto veio engrandecer nossa visão e fazer com que a gente entenda que o festival não acaba quando as luzes do Bumbódromo se apagam. Existe um potencial enorme de transformar esses materiais em arte, produto e oportunidade”, afirmou.

Tatyana Monteiro, artesã há 16 anos, encontrou na confecção de bolsas um novo caminho. Uma de suas peças reúne sementes de buriti, jacarandá, vagem de arapari e base feita com sacaria reaproveitada de alegoria do boi Caprichoso. “Hoje consigo enxergar minha peça como expressão artística, mas também como produto de mercado”, disse.

Regiane Lima, também do Mãos Criadoras, destacou a inspiração no patrimônio imaterial do festival. Entre as criações está a luminária Kurima, feita com folhas de andiroba por técnica própria, em fase de patente. “Antes, eu produzia acessórios voltados somente para o período bovino. Hoje trabalho com decoração, mobiliário e design amazônico”, explicou.

Parintins tem 453 artesãos cadastrados no Programa do Artesanato Amazonense. O projeto reforça a aposta do Sebrae na economia criativa regional, unindo capacitação, inovação, sustentabilidade e acesso a mercado. Os trabalhos podem ser acompanhados no perfil @dofestivalaofuturo no Instagram.