Notícias

Ronaldinho: alegria pura em documentário na Netflix

Por Gabriela Borges · Sáb, 2 de maio · 3 min de leitura

Ronaldinho: alegria pura em documentário na Netflix
Reprodução

O feriado do Dia do Trabalho foi o momento escolhido para ver a série documental sobre Ronaldinho Gaúcho na Netflix. A produção foi assistida sem pretensão, mas prendeu a atenção do início ao fim. O personagem e a qualidade do trabalho explicam o resultado.

Condensar mais de duas décadas de história em poucas horas é um desafio que aparece em alguns momentos, mas o saldo é positivo. A série acerta ao mostrar que Ronaldinho não é apenas um jogador para ser analisado, mas um fenômeno para ser sentido.

Poucos jogadores foram capazes de provocar tanta alegria. Ronaldinho dava prazer em jogar, não só eficiência ou talento. Na história do futebol brasileiro, só Garrincha se aproximou disso: transformar o jogo em espetáculo espontâneo e diversão para quem assistia.

A série captura essa essência. Mostra o Ronaldinho que encantou o mundo, redefiniu o que era possível com uma bola e deixou marcas profundas onde passou, não apenas nos clubes, mas nas pessoas. O documentário reforça a veneração quase unânime que ele desperta entre jogadores.

Um dos pontos fortes é o reconhecimento vindo de dentro do futebol. O carinho de Lionel Messi é genuíno. Messi admite a importância de Ronaldinho no início da sua trajetória no Barcelona. A série trata essa passagem de bastão simbólica com sensibilidade.

Outro mérito é não fugir dos momentos difíceis. O episódio da prisão no Paraguai é o ponto mais delicado. Ronaldinho atravessa aquilo com distanciamento, leveza e o bom humor que sempre o caracterizou. É um retrato de alguém que lida com a vida sem perder a essência.

Há espaço para o lado íntimo, especialmente a relação com a família e o irmão, elementos fundamentais na construção da carreira. Esse olhar humaniza ainda mais um personagem que parece quase folclórico.

O que fica é que Ronaldinho é um caso raro de unanimidade afetiva. Ele não era apenas admirado, era querido. Isso faz diferença enorme.

Comparado com nomes da geração atual, Neymar é um fenômeno técnico, mas divide opiniões: amado por muitos, rejeitado por outros. Vinícius Júnior enfrenta uma campanha de racismo que impacta sua expressão em campo e fora dele. Nenhum dos dois transmite a leveza contagiante que Ronaldinho exalava naturalmente.

Ronaldinho tinha algo difícil de explicar e impossível de fabricar: ele se fazia amado, inclusive pelos adversários. Esse é o maior legado que a série resgata. Mais do que gols, títulos ou dribles, o que ele deixou foi uma sensação de alegria coletiva que atravessava rivalidades e transformava o futebol em algo maior.