domingo, abril 12

    O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, foi derrotado nas eleições realizadas neste domingo, dia 12. Ele deixa o cargo após 16 anos no poder. Seu período é marcado por um processo de autocratização do país, com um Judiciário considerado aparelhado e uma mídia controlada por aliados, além de diversos atritos com a União Europeia, bloco ao qual a Hungria pertence.

    Uma das primeiras reações à derrota veio da presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen. Ela afirmou: “A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria”. Von der Leyen acrescentou que “um país retoma seu caminho europeu, e a união fica mais forte”, dizendo ainda que “juntos, somos mais fortes” e que “o coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite”.

    O presidente da França, Emmanuel Macron, disse ter conversado com o vencedor do pleito, Péter Magyar. Em nota, Macron declarou que a França “está feliz com essa vitória, que mostra a forte ligação do povo húngaro aos valores da União Europeia”.

    O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, também entrou em contato com Magyar. Merz disse esperar uma cooperação “a fim de garantir uma Europa forte, segura e unida”. Em uma rede social, escreveu: “O povo húngaro decidiu. Parabéns por seu sucesso, caro Péter”.

    Do lado dos Estados Unidos, o líder do Partido Democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, também se manifestou. Ele disse que “o autocrata de extrema direita Viktor Orbán perdeu a eleição”. Jeffries afirmou ainda que “os próximos serão os puxa-saco de Trump e extremistas Maga em novembro”, fazendo referência às eleições de meio de mandato nos EUA. Ele completou: “O inverno está chegando”.

    A campanha eleitoral na Hungria também teve a interferência do governo do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que tentou favorecer Orbán. Trump chegou a declarar que os Estados Unidos investiriam na economia húngara caso o aliado se mantivesse no poder. Além disso, enviou seu vice, J. D. Vance, a Budapeste para elogiar publicamente o primeiro-ministro.

    A derrota de Viktor Orbán põe fim a uma longa era política no país, que durante seu governo se aproximou de lideranças como Donald Trump e enfrentou várias críticas de instituições europeias por mudanças internas consideradas antidemocráticas. O resultado das urnas é visto por muitos líderes ocidentais como um realinhamento da Hungria com os princípios básicos da União Europeia.

    A transição de poder agora será acompanhada de perto, já que o novo governo terá o desafio de gerir as relações com o bloco europeu e reverter algumas políticas controversas do período Orbán. A expectativa é que a mudança facilite a liberação de fundos europeus que estavam retidos devido a disputas sobre o Estado de Direito no país.

    Gabriela Borges
    Gabriela Borges

    Administradora de empresas pela Faculdade Alfa, Gabriela Borges (2000) é goiana de nascimento e colunista de negócios, gestão e empreendedorismo no portal OiEmpreendedores.com.br, unindo conhecimento acadêmico e visão estratégica.