Empreendedorismo LGBT+: inclusão e renda no Brasil
Por Gabriela Borges · Qua, 24 de junho · 3 min de leitura

No Dia Internacional do Orgulho LGBT+, celebrado em 28 de junho, histórias de autonomia e geração de renda mostram uma transformação no empreendedorismo brasileiro. Dados do Sebrae indicam que cerca de 3,7 milhões de pessoas LGBT+ têm negócio próprio ou trabalham como autônomas no país.
Para muitos desses empreendedores, abrir uma empresa representa mais que uma oportunidade econômica. É uma forma de construir espaços seguros, ampliar a independência financeira e enfrentar barreiras do mercado de trabalho.
Os dados são de uma pesquisa do Sebrae divulgada em 2025. O levantamento mostra que 24% da população LGBT+ possui negócio próprio ou atua de forma autônoma. Outros 20% pretendem empreender nos próximos três anos.
Entre pessoas trans e travestis, o empreendedorismo é ainda mais presente: 70% já têm um negócio, estão abrindo um ou desejam empreender. Para o gestor nacional de Empreendedorismo LGBTQIA+ do Sebrae, Márcio Borges, os números mostram a relevância econômica desse público.
“Estamos falando de milhões de brasileiros. É um público muito jovem, conectado e com enorme potencial de inovação”, afirma Borges. Segundo ele, o empreendedorismo tem sido uma alternativa para quem encontra obstáculos na inserção profissional. “Para muitas pessoas LGBTQIA+, empreender não é apenas uma escolha de carreira. É uma estratégia de vida”, ressalta.
A empresária Letícia Amorim vive essa realidade. Fundadora do Instituto Amorim de Estratégia Gastronômica, ela encontrou no empreendedorismo a chance de criar um ambiente profissional alinhado aos seus valores. Ela enfrentou situações de homofobia e machismo na carreira no setor de alimentação.
“Percebi a necessidade de criar ambientes mais seguros e colaborativos. Hoje, a cultura de equipe é um dos pilares do meu trabalho porque acredito que respeito e inclusão também geram resultados”, conta Letícia. A mudança ocorreu após participar do projeto Transcender, do Sebrae Rio.
Outra trajetória é a de Luciene Giuliani, fundadora da SouSenior. A iniciativa é voltada à inclusão digital e ao empreendedorismo para pessoas com mais de 50 anos. Após voltar do Pará para o Rio de Janeiro, ela teve dificuldade para se recolocar profissionalmente. Ela decidiu transformar esse problema em oportunidade de negócio.
Luciene criou o Hub Diversidade, aprovado no programa Cariocas de Impacto, do Sebrae Rio. O projeto busca fortalecer a inclusão produtiva e o empreendedorismo de pessoas que enfrentam discriminação por idade, orientação sexual ou identidade de gênero. “É impossível ignorar que pessoas LGBTQIAPN+ ainda enfrentam desafios relacionados à invisibilidade”, afirma.
Raio-X do empreendedorismo LGBT+
A pesquisa do Sebrae aponta que 3,7 milhões de brasileiros LGBT+ possuem negócio próprio ou atuam como autônomos. Cerca de 24% da população LGBT+ empreende. Entre eles, 82% faturam até R$ 81 mil por ano e 62% trabalham sozinhos. A faixa etária de 63% dos empreendedores é de 16 a 34 anos. Entre pessoas trans e travestis, 70% já empreendem ou desejam abrir um negócio.