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Copa 2026: pequenos negócios já faturam antes do primeiro jogo

Por Gabriela Borges · Seg, 1 de junho · 5 min de leitura

Copa 2026: pequenos negócios já faturam antes do primeiro jogo
Loja em Curitiba personaliza itens como camisetas da Seleção | Foto: Divulgação

Há dez dias da Copa do Mundo de 2026, pequenos negócios paranaenses se movimentam para aproveitar uma janela de consumo que deve impactar diferentes setores da economia. Restaurantes, bares, moda, personalização, eventos, delivery e alimentação estão entre os segmentos impulsionados pelo aumento das confraternizações, das compras temáticas e do consumo ligado à experiência de assistir aos jogos.

Para apoiar os empreendedores nesse período, o Sebrae/PR elaborou um relatório de inteligência com ideias e estratégias para aproveitar os 39 dias do torneio. O documento aponta que 67% dos brasileiros acreditam que terão novos gastos por causa da Copa, 76% afirmam que vão mudar hábitos de consumo, 73% pretendem ampliar os gastos digitais e 57% planejam assistir aos jogos em casa, ao lado de familiares e amigos. O material está disponível no Impulsiona Sebrae.

“A Copa não começa no primeiro jogo. Ela começa antes, no comportamento do consumidor, na expectativa criada em torno do torneio e nas decisões de compra que acontecem a competição. Por isso, além de aproveitar um momento de alta nas vendas, a oportunidade está em usar esse período para fortalecer a marca, criar relacionamento e conquistar novos clientes”, pondera a coordenadora de Comércio e Serviços do Sebrae/PR, Suelen Pedroso.

Quem empreende pode usar o período da Copa para preparar operação, vender melhor e criar relacionamento que continue depois do último jogo. Isso inclui organizar estoque, equipe, atendimento e canais de venda antes do início do torneio, evitando depender de decisões de última hora.

Também é importante criar campanhas com linguagem própria, nomes autorais e clima de futebol, sem utilizar símbolos, nomes oficiais ou associações protegidas. A recomendação da coordenadora é apostar em ofertas simples para os dias de jogo, com produtos de alta saída, preparo rápido e comunicação fácil de entender.

“Outro ponto importante é trabalhar com dois cenários: um para o avanço do Brasil e outro para uma eliminação precoce, ajustando estoque, operação e promoções com flexibilidade”, observa Suelen.

Além disso, a Copa pode ser uma oportunidade estratégica para geração de relacionamento. Capturar contatos dos clientes durante o movimento extra, utilizando WhatsApp, cadastro, cupom de retorno ou programas de fidelidade, pode ajudar o pequeno negócio a transformar compras ocasionais em recorrência no segundo semestre. Nesse ano, a Copa do Mundo ocorrerá entre 11 de junho e 19 de julho, com sede nos Estados Unidos, México e Canadá.

O estudo do Sebrae/PR também destaca o potencial de aproveitar as diferentes etnias presentes no Paraná durante a Copa do Mundo. Na tríplice fronteira, por exemplo, a convivência entre brasileiros, paraguaios e argentinos amplia o interesse por jogos de diferentes seleções e cria oportunidades para experiências ligadas ao futebol, à gastronomia e à integração entre torcidas.

Desde 2024, em Foz do Iguaçu, o restaurante familiar Seldeestrela traz na bagagem a brasilidade, com cardápio e temática amazônica. A acreana Selma Cavalcante, acompanhada da família, colocou em prática as receitas regionais como protagonistas do negócio. A filha Sarah Cristina, à frente dos negócios, explica que investimentos foram feitos no último mês, incluindo um espaço especial para o bar.

“Crescemos, estamos deixando tudo pronto para os dias de jogos e claro, já pensamos em: drinks temáticos, desconto de petiscos durante os jogos, decoração e até mesmo algum prato que remeta ao Brasil como um todo”, afirma Sarah Cristina. A empreendedora conta que a expectativa é grande com relação aos dias de jogos, comparável a datas especiais de maior movimento, como Dia das Mães e Dia dos Namorados. “Acreditamos que depois das obras que realizamos, nos dias de jogos o faturamento pode ser 40% maior”, diz.

A Copa ainda deve impulsionar a procura por produtos personalizados e experiências ligadas ao ambiente de torcida. Com o aumento das confraternizações em casa, pequenos negócios encontram espaço para trabalhar kits temáticos, decoração, vestuário e itens que conectem o consumo à experiência afetiva do torneio.

Em atividade há cinco anos, a Loja Dikasa Presentes atua em Curitiba com itens personalizados e kits para presentes. A empreendedora Kellyn Sato conta que a expectativa é de crescimento entre 20% e 30% na receita da loja física durante o período da competição. “A Copa traz um movimento que mistura emoção, pessoas reunidas e clientes querendo receber bem em casa. O cliente que nos descobre nesse período costuma voltar nas próximas datas comemorativas”, comenta. A preparação para o evento começou nos últimos meses e chegou ao principal produto da loja para a data: a personalização de camisetas.

“Conversei com amigos, clientes e parceiros comerciais para entender como conectar a loja a esse momento. Desde a curadoria dos materiais até a organização da produção, a definição dos prazos e a comunicação, o objetivo sempre foi criar uma memória afetiva”, conta Kellyn.

Antecipar mudanças de mercado permite mapear o comportamento dos consumidores antes mesmo da decisão de compra. “O impacto operacional e a velocidade do consumo são muito maiores do que em uma sazonalidade comum. A Copa do Mundo dura 39 dias, mas o cliente conquistado nela pode durar o ano inteiro”, indica o consultor do Sebrae/PR, Elmo Silveira de Souza. O acesso fácil e democrático à informação é um caminho que os pequenos negócios podem seguir para reduzir erros, melhorar decisões e fortalecer a saúde financeira.

Moradora de São José dos Pinhais, Morgana Pereira transformou a sua saudade das raízes baianas em oportunidade de negócio. A microempreendedora individual (MEI) está à frente da Farofa de Mainha e produz farofas artesanais com ingredientes típicos do Nordeste. “A Copa representa união, comemoração e confraternização, exatamente o tipo de momento em que a farofa está presente na mesa”, comenta. A meta, afirma a empreendedora, é que os combos representem 70% das vendas da campanha, além de gerar crescimento de 40% na comparação com períodos normais.