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Dólar recua a R$ 5,17 e Ibovespa rompe sequência de perdas

Por Boletim Diário · Sáb, 22 de agosto · 4 min de leitura

Dólar recua a R$ 5,17 e Ibovespa rompe sequência de perdas

Alívio nos juros dos EUA e alta do petróleo movimentam o câmbio e a bolsa; para pequeno negócio, câmbio mais estável pesa no custo de insumos importados

O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (19 de agosto de 2026), cotado a R$ 5,1761, segundo o G1, ou R$ 5,1766, conforme registrou o Money Times. O Ibovespa, por sua vez, subiu 0,90%, aos 167.830 pontos, encerrando uma sequência de onze pregões seguidos de perdas na bolsa brasileira.

Para quem administra um pequeno negócio que compra insumos, equipamentos ou matéria-prima cotados em moeda americana, a notícia representa um respiro pontual. Mas os próprios analistas consultados pelas fontes avisam que o movimento é visto como alívio passageiro, não como mudança de tendência.

Por que o dólar caiu e o que isso significa para o bolso do empreendedor

De acordo com o G1 e o Money Times, a queda da moeda americana está ligada a fatores externos: o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai pelo menos dobrar as recompras de dívida governamental de longo prazo, o que aliviou os rendimentos dos títulos públicos americanos (Treasuries) e reduziu a atratividade do dólar no mundo todo.

Esse alívio nos juros americanos abre espaço para que investidores estrangeiros voltem a colocar dinheiro em países emergentes, como o Brasil, o que ajuda a valorizar o real.

Já a reportagem da IstoÉ Dinheiro destaca outro ângulo: a postura firme do Banco Central brasileiro em manter os juros altos para controlar a inflação também sustenta o real, porque incentiva o chamado carry trade, estratégia em que investidores buscam recursos baratos fora do país para aplicar na renda fixa brasileira.

Na prática, isso quer dizer que quem depende de importação para tocar o negócio, seja de peças, equipamentos ou produtos revendidos, pode aproveitar a cotação mais baixa para fazer compras, mas sem garantia de que o patamar de R$ 5,17 vá se manter nas próximas semanas.

Ibovespa sobe com Petrobras e Vale, mas alívio é visto como temporário

A alta da bolsa brasileira foi puxada, sobretudo, pelo desempenho de Petrobras e Vale, favorecidas pela valorização do petróleo e do minério de ferro no mercado internacional, conforme apontou a IstoÉ Dinheiro. O barril do tipo Brent subiu 0,48%, a US$ 91,46, enquanto o WTI avançou 0,80%, a US$ 85,62, segundo dados do G1.

Entre as ações que mais subiram no pregão, a Cosan liderou com alta de 8,31%, seguida por MBRF, Minerva e Suzano, de acordo com o Money Times. Do lado das perdas, Magazine Luiza recuou 5,37% e liderou as quedas do dia.

Ouvido pelo G1, Nicolas Gass, sócio da GT Capital, chamou o movimento de “respiro temporário” e afirmou que a alta teve origem em fatores externos, sem representar uma virada na trajetória recente da bolsa. Já Antônio Morais, sócio da Vault Capital, disse ao mesmo veículo que a sequência de quedas anteriores combinou problemas de fundamento econômico, como preocupações fiscais e aumento de pedidos de recuperação judicial, com fatores técnicos ligados à saída de capital estrangeiro.

Petróleo sobe com tensão entre EUA e Irã, e ata do Fed preocupa com inflação

A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã também influenciou o mercado. O jornal britânico Financial Times informou que o Irã avalia atacar alvos militares americanos na Europa caso o conflito se intensifique, o que reforça temores sobre uma eventual interrupção no Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do comércio mundial de petróleo antes da guerra, segundo o G1.

Ao mesmo tempo, a ata da última reunião do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, mostrou preocupação maior com a inflação americana, com alguns dirigentes sinalizando disposição para subir os juros caso os preços não recuem à meta de 2%. Três integrantes do colegiado, Beth Hammack, Lorie Logan e Neel Kashkari, chegaram a votar por um aumento imediato de 0,25 ponto percentual, conforme o acompanhamento em tempo real do Money Times.

Apesar do tom mais rígido do documento, o economista James Knightley, do banco ING, avaliou, segundo o Money Times, que o cenário ainda não justifica uma alta de juros nos Estados Unidos. A expectativa do mercado é que o Fed mantenha a taxa básica inalterada na próxima reunião, marcada para 15 e 16 de setembro.

O que fica no radar do pequeno empreendedor

Mesmo com o alívio do dia, as fontes concordam que fatores domésticos continuam pressionando o câmbio e a bolsa: a incerteza eleitoral, as discussões sobre o ajuste fiscal para 2027 e o avanço no Senado da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1 estão entre os pontos observados pelos investidores, segundo o G1.

Para quem negocia preços com fornecedores estrangeiros ou faz reajuste de contratos indexados ao dólar, a orientação prática destacada pela IstoÉ Dinheiro é evitar concentrar toda a compra de moeda em um único momento e acompanhar a cotação com cautela, já que o cenário de curto prazo ainda depende de decisões externas, como os próximos passos do Fed, e de fatores internos que continuam em aberto.

Fontes

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