Quem paga o Imposto Seletivo?
Por Gabriela Borges · Seg, 20 de julho · 2 min de leitura
A reforma tributária em andamento no Brasil propõe a criação do Imposto Seletivo, um tributo que incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. A discussão central, no entanto, gira em torno de quem realmente arcará com esse custo.
Especialistas apontam que, embora o imposto tenha como objetivo desestimular o consumo de itens como cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes, a conta pode acabar sendo repassada ao consumidor final. Isso aconteceria porque as empresas, ao terem seus custos aumentados, tendem a embutir o valor do novo tributo no preço dos produtos.
O alerta é que, se a carga tributária for mal calibrada, o efeito pode ser o oposto do desejado. Em vez de reduzir o consumo, o imposto pode simplesmente aumentar a arrecadação sem gerar mudanças de comportamento, penalizando principalmente as camadas de menor renda da população.
Para os críticos da proposta, iniciar a maior reorganização tributária em décadas invertendo o princípio que a justifica seria um erro difícil de corrigir depois. A reforma, que busca simplificar e tornar o sistema mais justo, poderia gerar distorções se o Imposto Seletivo não for aplicado com critérios claros e transparentes.
O debate sobre a regulamentação do imposto ganha força no Congresso Nacional. A definição de quais produtos serão taxados, as alíquotas aplicadas e os mecanismos de compensação para evitar o impacto excessivo sobre os consumidores são pontos que ainda precisam de consenso entre os parlamentares e o governo.
A expectativa é que a discussão avance nas próximas semanas, com a apresentação de relatórios e propostas de emendas. A sociedade civil e entidades representativas dos setores produtivos acompanham de perto as negociações, buscando garantir que a reforma tributária atinja seus objetivos sem criar novos problemas para a economia e para o bolso do brasileiro.