Milly Lacombe: Xuxa, colã e o envelhecer livre
Por Gabriela Borges · Dom, 2 de agosto · 2 min de leitura
A colunista Milly Lacombe, do UOL, comentou a repercussão dos novos shows de Xuxa, que retomou a turnê “O Último Voo da Nave” para uma plateia formada por adultos que cresceram assistindo ao “Xou da Xuxa” entre o fim dos anos 80 e início dos anos 90. Para a colunista, a reação negativa ao corpo da apresentadora, de 63 anos, expõe uma contradição da sociedade.
Lacombe lembra que, quando Xuxa tinha 23 anos e dançava de colã na televisão, isso era aceito sem grandes questionamentos. Agora, a mesma apresentadora enfrenta críticas por ocupar o palco com o mesmo figurino. A colunista afirma que essa rejeição está ligada a uma regra social que limita a liberdade do corpo feminino envelhecido, enquanto a sexualização de uma mulher jovem é tolerada.
Ela compara a atitude de Xuxa à de Madonna, que também seguiu se apresentando com liberdade após os 60 anos. Para a autora, o incômodo gerado pela apresentadora é resultado da liberdade que ela demonstra ao dançar e cantar, desafiando a expectativa de que mulheres mais velhas devem ficar em casa.
A colunista reconhece que o programa original dos anos 80 e 90 tinha problemas evidentes, como a hipersexualização da mulher e a falta de representatividade racial. No entanto, ela considera que a reação atual ao corpo de Xuxa é movida por machismo e misoginia, estruturas que historicamente tentam controlar o corpo feminino.
Xuxa lotou o estádio e chorou ao falar sobre o ódio que recebeu. No segundo show, ela escondeu a virilha, que havia chamado atenção na primeira apresentação. Lacombe critica a hipocrisia de uma sociedade que condena o corpo da apresentadora, mas que, segundo ela, se organiza em estruturas de poder masculino com festas secretas, como nos casos de Epstein e Vorcaro.
Por fim, a colunista afirma que o ódio fala alto, mas que o amor, mesmo falando mais baixo, ainda é maior. Ela conclui que, se não fosse assim, a sociedade não teria chegado até aqui. O texto é uma opinião da autora e não reflete, necessariamente, a posição do UOL.