segunda-feira, março 23

    A Procuradoria-Geral da República se manifestou nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, a favor do pedido de prisão domiciliar feito pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Bolsonaro está preso no processo da trama golpista e foi transferido para um hospital no dia 13 de março após passar mal. Ele foi diagnosticado com um quadro de broncopneumonia.

    Em sua manifestação, o procurador-geral, Paulo Gonet, escreveu que a PGR vê atendida a necessidade da prisão domiciliar para os cuidados indispensáveis ao monitoramento do estado de saúde do ex-presidente. Ele afirmou que o estado de saúde está sujeito a alterações súbitas e imprevisíveis.

    Gonet disse que o pedido se baseia no pressuposto de que a manutenção do regime fechado aumenta a vulnerabilidade de Bolsonaro. A evolução clínica do ex-presidente, conforme exposto pela equipe médica, recomendaria a flexibilização do regime, em linha com o que o Supremo Tribunal Federal admite em circunstâncias semelhantes.

    O procurador-geral também afirmou que a medida tem apoio no dever público de preservação da integridade física e moral de quem está sob custódia do Estado. Ele disse que o ambiente familiar está apto a propiciar a atenção constante que o estado de saúde demanda, o que não ocorreria no sistema prisional em vigor.

    Na quarta-feira, 18 de março, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pediu ao hospital onde Bolsonaro está internado informações sobre seu quadro clínico. A instituição enviou os boletins médicos e um prontuário completo. A decisão final sobre o pedido de domiciliar caberá a Moraes após a manifestação da PGR.

    Bolsonaro trata uma pneumonia bacteriana decorrente de um episódio de broncoaspiração. O hospital informou que o quadro tem boa evolução, mas ainda não há previsão de alta.

    A ofensiva pela prisão domiciliar contou com a participação do filho Flávio Bolsonaro, da esposa Michelle Bolsonaro, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, da bancada bolsonarista no Congresso e de ministros do STF.

    Um dos argumentos usados por políticos e outros ministros junto a Moraes foi o risco de que uma eventual morte de Bolsonaro fosse vista politicamente como responsabilidade do Supremo.

    Pelo menos metade dos ministros atuais da corte entende que deixar Bolsonaro cumprir a pena em casa, com outras medidas cautelares, é a melhor opção.

    A equipe médica que atendeu Bolsonaro na manhã da crise de saúde citou “risco de morte” como motivo para a transferência urgente ao hospital.

    A defesa do ex-presidente, ao solicitar a domiciliar, afirmou que houve piora em seu quadro de saúde e que a cadeia é incompatível com a preservação de sua saúde e integridade física. A internação foi apresentada como um fato novo após a decisão de Moraes de negar o pedido no dia 2 de março, o que motivou o pedido de reconsideração.

    Gabriela Borges
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    Administradora de empresas pela Faculdade Alfa, Gabriela Borges (2000) é goiana de nascimento e colunista de negócios, gestão e empreendedorismo no portal OiEmpreendedores.com.br, unindo conhecimento acadêmico e visão estratégica.