sábado, abril 11

    Cuba decidiu abrir o comércio de produtos agrícolas para o setor privado, alterando uma prática que era monopólio do Estado. A medida faz parte de um cenário de maior liberalização econômica no país.

    De acordo com uma norma publicada no Diário Oficial desta quinta-feira, fica autorizada a comercialização por agricultores independentes, cooperativas, pequenas e médias empresas privadas e trabalhadores autônomos.

    Até então, o Estado ficava responsável pela venda da maior parte da produção agrícola. Os produtores só podiam vender diretamente ao mercado uma parcela do excedente de suas colheitas.

    A nova regra permite que o setor privado atue como intermediário entre quem produz e os pontos de venda. Esses agentes terão acesso livre aos mercados atacadistas e varejistas. O controle sobre os preços e as exportações, contudo, seguirá sob responsabilidade estatal.

    A flexibilização ocorre depois de uma queda de 52% na produção agrícola entre os anos de 2018 e 2023. Os dados são do Centro de Estudos da Economia Cubana da Universidade de Havana.

    A ilha, com 9,6 milhões de habitantes, vive há seis anos uma crise profunda. As causas incluem o endurecimento das sanções americanas, problemas na economia centralizada e os efeitos de uma reforma monetária que não obteve os resultados esperados.

    Nos últimos meses, o governo cubano tem anunciado uma série de reformas econômicas. Em um movimento recente, foi autorizada a formação de empresas mistas, que unem entidades estatais e investidores privados locais.

    Outra mudança importante foi o fim do monopólio estatal sobre a importação de combustíveis. Com isso, empresas privadas ganharam permissão para importar combustíveis de forma direta.

    No mês passado, também foi divulgado que a diáspora cubana, especialmente os residentes nos Estados Unidos, poderá fazer investimentos no país e ser proprietária de empresas privadas. A decisão, no entanto, ainda não teve um marco jurídico detalhado estabelecido.

    A abertura do comércio agrícola é vista como mais um passo na tentativa de reativar a economia local, que enfrenta escassez de produtos e inflação. A produção nacional de alimentos tem sido um ponto de preocupação constante para as autoridades.

    Especialistas apontam que a medida pode agilizar a distribuição de alimentos e reduzir desperdícios, já que os canais privados tendem a ser mais ágeis. No entanto, o controle estatal sobre preços permanece como um fator que pode limitar os ganhos de eficiência.

    A experiência com abertura gradual em outros setores, como o de combustíveis, servirá como referência para essa nova etapa no setor agrícola. O sucesso ou as dificuldades encontradas poderão influenciar futuras decisões de política econômica.

    Gabriela Borges

    Administradora de empresas pela Faculdade Alfa, Gabriela Borges (2000) é goiana de nascimento e colunista de negócios, gestão e empreendedorismo no portal OiEmpreendedores.com.br, unindo conhecimento acadêmico e visão estratégica.