terça-feira, março 17

    O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), deputado Carlos Viana, destinou R$ 3,6 milhões de emendas parlamentares à Fundação Betânia, entidade ligada à Igreja Batista da Lagoinha.

    Os repasses ocorreram entre 2019 e 2023. Os recursos foram aplicados em ações sociais no estado de Minas Gerais. A fundação é presidida pelo apóstolo Estevam Hernandes, líder da denominação religiosa.

    As emendas são de execução obrigatória, ou seja, o governo é obrigado a pagar os valores após a indicação do parlamentar. O montante foi liberado pelo Orçamento da União.

    A informação foi levantada a partir de dados abertos disponíveis no Portal da Transparência. O parlamentar utilizou a chamada “emenda de relator”, instrumento que permite a destinação de recursos sem a necessidade de amplo debate no Congresso.

    Carlos Viana é deputado federal pelo Republicanos de Minas Gerais. Ele foi eleito para comandar a CPMI do INSS, que investiga supostas fraudes e irregularidades no instituto. A comissão tem como foco analisar o pagamento de benefícios por incapacidade, como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez.

    A Fundação Betânia atua em áreas como assistência social, educação e geração de renda. A entidade desenvolve projetos em comunidades carentes. A Lagoinha é uma das maiores igrejas evangélicas do país, com sede em Belo Horizonte.

    O uso de emendas parlamentares para instituições ligadas a igrejas é uma prática comum no Congresso. Não há ilegalidade na destinação, desde que os recursos sejam aplicados em finalidades públicas e prestados contas.

    A reportagem procurou a assessoria do deputado Carlos Viana, que não se pronunciou sobre o assunto até o momento. A Fundação Betânia também não retornou aos pedidos de contato para comentar a aplicação dos recursos recebidos.

    A CPMI do INSS foi instalada em 2023 e tem previsão de durar 180 dias, podendo ser prorrogada. Seu trabalho inclui a convocação de autoridades e a quebra de sigilos para apurar indícios de desvios.

    As informações são do colunista Tácio Lorran, publicadas originalmente no site Metrópoles.

    Gabriela Borges

    Administradora de empresas pela Faculdade Alfa, Gabriela Borges (2000) é goiana de nascimento e colunista de negócios, gestão e empreendedorismo no portal OiEmpreendedores.com.br, unindo conhecimento acadêmico e visão estratégica.