sábado, abril 11

    O BRB (Banco de Brasília) comunicou nesta sexta-feira (10) a destituição de dois diretores remanescentes da antiga gestão. A medida ocorre em meio a investigações por suspeitas de irregularidades em operações envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

    Os diretores executivos afastados são Diogo Ilário de Araújo Oliveira, da área de Atacado e Governo, e José Maria Corrêa Dias Júnior, de Tecnologia. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração do banco em reunião realizada no mesmo dia.

    Em fato relevante enviado ao mercado, a instituição informou também que Bruno de Oliveira Watanabe foi eleito para a diretoria de Atacado e Governo. Segundo o BRB, o executivo tem trajetória no setor financeiro e no setor público.

    Sua atuação inclui articulação institucional, relacionamento governamental, estruturação de operações e fomento ao desenvolvimento econômico. No próprio BRB, ele já exerceu funções técnicas e gerenciais em áreas como crédito, mercado financeiro, riscos e compliance.

    O banco afirmou que seguirá o rito de governança e encaminhará o nome do novo diretor ao Banco Central do Brasil. A posse ocorrerá após a conclusão dos trâmites previstos.

    Enquanto houver cadeiras vagas, a diretoria de Atacado e Governo será incorporada temporariamente pela área de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores. As funções da diretoria de Tecnologia serão acumuladas pela área de Controles e Riscos, e a diretoria de Varejo ficará sob responsabilidade do setor de Negócios.

    A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pediu ao presidente do BRB, Nelson de Souza, o afastamento de todos os executivos envolvidos no caso Master. A atual gestão do banco contratou uma auditoria forense para avaliar prejuízos e responsabilidades no caso.

    Em nota, a governadora disse que a decisão não antecipa qualquer julgamento e respeita o direito ao contraditório. Ela afirmou que o compromisso do governo é com a verdade dos fatos, a proteção das instituições e a confiança da população.

    Na última terça-feira, o BRB comunicou a conclusão dessa auditoria e o encaminhamento do relatório final para a Polícia Federal. O documento também já foi entregue ao Banco Central.

    A análise foi conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll. Ela colocou sob suspeita a atuação de antigos gestores do banco, incluindo o ex-presidente Paulo Henrique Costa.

    Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fraudulentos do banco de Vorcaro. Esse volume expressivo de operações é o cerne do escândalo que ficou conhecido como caso Master.

    O banco do Distrito Federal deveria ter divulgado seu balanço referente a 2025 até 31 de março, mas não cumpriu o prazo legal. Com o atraso na publicação das demonstrações financeiras, a dimensão total do prejuízo causado ao BRB pelo caso Master permanece desconhecida.

    A situação gera incerteza no mercado sobre o real impacto financeiro das operações irregulares. A ausência do balanço impede uma avaliação completa da saúde financeira da instituição neste momento.

    Gabriela Borges

    Administradora de empresas pela Faculdade Alfa, Gabriela Borges (2000) é goiana de nascimento e colunista de negócios, gestão e empreendedorismo no portal OiEmpreendedores.com.br, unindo conhecimento acadêmico e visão estratégica.