segunda-feira, março 16

    Uma das três páginas desaparecidas do palimpsesto de Arquimedes foi descoberta em um museu da França. O manuscrito do século 10 contém cópias dos tratados do cientista grego.

    Victor Gysembergh, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França, foi quem encontrou a página no Museu de Belas Artes de Blois, no centro do país. A descoberta aconteceu, nas palavras do pesquisador, “um pouco por acaso”.

    Arquimedes, físico, astrônomo, matemático e engenheiro, viveu entre 287 e 212 a.C. em Siracusa. Seu trabalho chegou aos nossos dias, incluindo o famoso princípio que leva seu nome.

    Um palimpsesto é um pergaminho em que o texto original foi apagado para que a superfície fosse reutilizada. Essa era uma prática comum na época, dado o alto valor do material.

    Os tratados de Arquimedes foram copiados no século 10. Posteriormente, por volta dos séculos 12 e 13, o texto foi apagado e as páginas recicladas para se tornarem um eucológio, um livro de orações para a liturgia.

    A história deste palimpsesto, único no mundo, é incomum. O poeta e historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg o encontrou no final do século 19. Em 1906, ele fotografou o documento página por página.

    O manuscrito desapareceu durante a Primeira Guerra Mundial e ressurgiu apenas em 1996, em uma coleção privada na França, por ocasião de um leilão. Nesse intervalo, três das 177 páginas originais foram perdidas.

    Victor Gysembergh explicou seu interesse pela busca: “Os palimpsestos me interessam porque é uma maneira de redescobrir textos perdidos da Antiguidade”. Conversando com colegas sobre a biblioteca dos reis da França em Blois, ele decidiu procurar.

    A busca foi feita através do Arca, um catálogo online de manuscritos digitalizados. O pesquisador ficou surpreso ao encontrar um manuscrito grego e, ainda mais, um tratado científico do século 10.

    “Comparei a página, tal como se encontra hoje em Blois, com as fotos tiradas em 1906”, disse Gysembergh. A comparação mostrou que o estilo da escrita e cada letra eram idênticos, assim como uma figura geométrica no mesmo local. Era o tratado de Arquimedes sobre a esfera e o cilindro.

    A página tem, de um lado, o texto da cópia antiga bem visível. Do outro lado, há um desenho mais recente, provavelmente adicionado no século 20 por um proprietário que tentava aumentar o valor do documento.

    Os trabalhos de Gysembergh foram publicados no dia 6 de março na revista alemã Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik. O pesquisador espera realizar uma análise mais aprofundada no próximo ano para decifrar totalmente o texto.

    A descoberta reacende a esperança de encontrar um dia as outras duas páginas que faltam. Até agora, não havia expectativa de que elas pudessem ser recuperadas.

    Gysembergh acredita que a descoberta deve incentivar instituições e colecionadores privados a verificarem seus acervos. “Se possuem esse tipo de manuscritos, devem pensar que poderia se tratar de algum dos outros perdidos”, afirmou o pesquisador.

    A recuperação de uma parte tão valiosa do palimpsesto de Arquimedes é um evento importante para a história da ciência. Ela permite o estudo direto de mais um fragmento do pensamento do grande matemático grego.

    O manuscrito é uma fonte primária crucial para entender a transmissão do conhecimento científico da Antiguidade. Cada nova página descoberta pode conter informações previamente desconhecidas sobre seus métodos e teorias.

    O processo de análise moderno, com técnicas de imagem digital, pode revelar textos que estavam completamente ilegíveis a olho nu. Essas tecnologias têm revolucionado o estudo de documentos antigos.

    A comunidade acadêmica aguarda os resultados da análise prometida por Gysembergh para o próximo ano. A expectativa é que novos detalhes sobre o trabalho de Arquimedes venham à tona.

    Gabriela Borges
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    Administradora de empresas pela Faculdade Alfa, Gabriela Borges (2000) é goiana de nascimento e colunista de negócios, gestão e empreendedorismo no portal OiEmpreendedores.com.br, unindo conhecimento acadêmico e visão estratégica.